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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Bute, ou não Bute ... Tomar Café?

Ontem de manhã começo por receber um SMS do André. Pretendia saber se eu ia a Loures. Pus a hipotese de ele querer ir fazer uma visita aos avós, pretendendo assim assegurar-se que nós não iríamos, para que não corresse o risco de ter algum encontro imediato com o pai.

Mandei-lhe uma mensagem a dizer que ainda não sabia se ia ou não, questionando-o sobre o porquê da pergunta. Respondeu-me que era somente para combinarmos tomar um café. Passados uns minutos telefona pois queria falar com os irmãos. Lá esteve breves minutos ao telefone com os dois. Despedimo-nos com o meu compromisso de lhe ligar para tomarmos um café.

Estes dialogos irritam-me, porque me obrigam a fazer papel de "otária" e ainda por cima ter de alimentar um dialogo como se não estivesse a perceber quais os reais objectivos do contacto. O que ele pretendia saber era o meu estado de espírito. Tal como nós também ele já deve ter sido notificado para comparecer no Tribunal, pelo que ficou na duvida acerca da nossa presença ... pelo que está a apalpar terreno.

Até isso poderia ser normal, mas atendendo a que foi educado para ser directo e frontal não se justifica estar a arranjar desculpas e fingir estar com saudades para sacar informações. Mais uma vez, encontra-se sempre disponível para tomar café independentemente da hora ou do dia da semana.

Fico revoltada comigo própria ... não consigo perceber o que sinto .... então não seria normal eu ficar contente com um contacto dele? mas a realidade é que isso não acontece ... qualquer contacto obriga-me a esforço mental ... para o qual já não me sinto com disposição .... a primeira ideia que surge é: que quererá agora? que treta é que me vai contar? quantas mentiras serão relatadas enquanto falamos ao telefone, quantas vidas reais se vão cruzar com o nosso dialogo ... e digo isto, porque ele relata a vida de algumas pessoas como se essas experiências que pertencem aos outros, tivessem ou estivessem a ser vivenciadas por ele ... e acreditem que agora que não estamos tão próximos ... me dificulta a tarefa de perceber o que é que é ou não verdade.

Para além disto, qualquer historia (sim porque a nossa conversa tem uma grande % de historia/ficção me deixa preocupada.

Como é que eu vou manter-me calma, alegre, bem disposta, e essencialmente disponível para o ouvir ... se tudo quanto me pode contar vai contra a minha forma de estar ... vamos falar de quê? vamos falar de como é curtido viver na pensão (deve ser um must!! como diz uma amiga minha), como é porreiro andar durante a noite a entrar e a sair nas festas after hours com muito ectasy, a namorar hoje com a Ana, amanhã com a Teresa, com a Sónia e depois de amanhã como a Beatriz ... como foi bué louco ir com a Shake( que é um amigo que já esteve longos períodos internado pois a droga têm-lhe atrofiado o cérebro), partir uma rapariga (é este o termo que utilizam) no topo de uma torre de 12 andares ainda em construção? ... e eu vou ficar como? ... levo um lençol para me pôr desalmadamente a chorar e perguntar que mal fiz eu a Deus para estar a ouvir isto? ou aproveito o facto de estarmos numa esplanada num ambiente descontraído ... e vou-lhe dizendo: Bem Dread Ganda Maluco! .... bué fixe, essas histórias! ...tasse mesmo muita bem! ... cool men, bué COOL ... e peço desculpa e levanto-me a cada 5 minutos para ir à casa de banho dar uns valentes socos nos azulejos ou na porta para soltar a ira que o momento me merece?

E quando ele me diz que já colocou outro piercing (acho que não é assim que se escreve mas enfim), na boca (já seria o 2º), sabendo que eu desaprovo, faço o quê? faço de conta que não ouvi?, ou avanço frenética e aproveito o facto dele ter a lingua esticada para exibir a nova conquista ... e corto o mal pela raiz? ... acabando assim com a gracinha e com as mentiras?

E quando ele me relatar o local, colegas, remuneração, etc ... do trabalho ... que não existe?

Todas estas hipoteses obrigam-me a ponderar e a estar muito atenta a todos os pormenores ... a começar pelo local onde ponho a mala e a acabar na recolha imediata do troco ... e sinceramente já começa a ser dificil olhar para duas crianças aos pinotes e ainda me sobrar tempo para este tipo de coisas!! e se houver algum descuido ... é a morte do artista ... e lá venho eu arrependida de lhe ter dado um voto de confiança.

Tudo isto me faz não ter qualquer vontade de sair ... mas o não ter vontade ... também me pesa na consciência! Este ... é ou não é ... foi ou não foi ... devo ou não devo ... sinto ou não sinto ... vou ou não vou ... dá-me cabo da cabeça!!! ... isto sinceramente é completamente surreal!!

2 comentários:

Teresa disse...

Parece que estás realmente com vontade de virar o jogo. Tem coragem e vira-o, não importa que esteja a fazer de ti otária, tu já perdeste a inocência há muito.
Sei que deve ser uma tortura mas há males que vêm por bem, e se queres ser frontal, então não podes vacilar.
Muita força e faz o que tens a fazer, a bem da tua sanidade mental! Beijinhos

Anocas disse...

Nem sei o que te diga!
Se não o vês ficas com remorsos e problemas de consciência. Se fores ficas stressada e deprimida.
Parece que é uma daquelas situações em que não se pode ganhar porque "o jogo já está viciado" à partida.
Coragem e boa sorte!