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sábado, 11 de outubro de 2008

Casamentos Homossexuais ... Sim ou Não?


Como sabem a discussão sobre o alargamento do casamento civil aos cidadãos homossexuais realizou-se no passado dia 10, sob proposta do BE e dos Verdes.

O debate parlamentar centrou-se em dois projectos de lei que pretendiam proceder a alterações ao Código Civil, por forma a ser possível a celebração do casamento civil, por duas pessoas do mesmo sexo.

No entanto, entre os dois diplomas, constata-se uma diferença quanto à possibilidade de os futuros casais de pessoas do mesmo sexo, civilmente reconhecidos, poderem adoptar crianças.

Enquanto o BE deixa intacta a redacção do actual artigo do Código Civil, segundo o qual "podem adoptar plenamente duas pessoas casadas há mais de quatro anos e não separadas judicialmente de pessoas e bens ou de facto, se ambas tiveram mais de 25 anos", os Verdes substituem a palavra "ambas" por "tanto o homem como a mulher". Com isso, os Verdes inviabilizam a adopção por casais do mesmo sexo.

Ou seja, em cima da mesa debate-se a concessão ou não da possibilidade dos homosexuais casarem, bem como de adoptarem.

Creio que este tema é de facto delicado, e é curioso como dando uma volta a enúmeros Blogs (algumas largas dezenas) nenhum deles abordou esta temática, o que me leva a concluir que a nossa sociedade ainda não está preparada para assumir uma realidade já existente, mas que muitos teimam em não querer ver.

Para ser sincera fico um pouco "incomodada" quando vejo os casais homossexuais em manifestações públicas de amor e afecto (assim como essa da foto, lol), mas ao mesmo tempo, sinto que esse meu sentimento é simplesmente absurdo!!

Creio que como cidadã tenho a obrigação de respeitar a orientação sexual de cada um, até porque, estou completamente convencida que no amor, não se consegue racionalmente fazer escolhas, o coração fala mais alto, e aquilo que à partida poderia ser o mais racional, fica para segundo plano. Acredito que se os homossexuais pudessem escolher, optariam por ser heterosexuais, pois teriam com toda a certeza a vida mais facilitada!

Penso muitas vezes, o que leva a que a sociedade que vivemos, não seja permeável a esta necessidade, que no fundo, não é mais do que a consagração de alguns direitos, que possibibitam que uma franja cada vez maior da sociedade, veja um conjunto de direitos consagrados e possa viver a sua sexualidade de uma forma livre e sem pressões.

Porque não haveremos nós de aceitar com naturalidade esta realidade? Que incomodos poderá essa realidade provocar-nos? Creio que nenhuns ... e por isso creio que se a lei fosse aprovada, com o tempo essa questão se tornaria banal, e não comportaria quaisquer constrangimentos!!

A actual situação dos homossexuais é de facto perturbante e injusta. Como me sentiria eu, se vivesse com alguém do mesmo sexo, durante anos a fio, e quando essa pessoa fosse internada, eu pudesse ser privada de a visitar, se os seus familiares assim o entendessem, pois para todos os efeitos não passaria de uma amiga, portanto sem qualquer prioridade ou opinião? Que sentiria eu, se a pessoa morresse, e não me fossem reconhecidos quaisquer direitos, que em iguais circunstâncias são concedidos aos casais heterossexuais? e em relação à aquisição da casa? bem como, em relação a beneficios fiscais que possam advir da condição de casado?

De facto deve ser dificil .... e por isso compreendo perfeitamente a sua revolta e inconformismo!! É que não nos podemos esquecer que estes cidadãos, também contribuem com os seus impostos tal como nós, e por isso porque haverão de ter um tratamento diferenciado??

Creio que tudo isto será uma questão mais religiosa do que outra coisa. A Igreja marca a sua oposição com base no facto de ver no casamento, uma união com vista à procriação, mas será esta posição aceitável? Devo referir que não tenho qualquer ligação à Igreja católica, mas também não lhe faço nenhuma oposição, e prova disso, é o facto do André ter sido baptizado e ter feito a primeira comunhão, e os pequenitos ainda não foram, porque o pai não quer!!

Esta fundamentação para mim não faz sentido, pois se assim é, como justificar a possibilidade que é dada aos casais heterosexuais inferteis, e a senhoras que já estão fora de prazo (lol) de poderem contrair matrimónio? Estes também não procriam, e não é por esse facto, que lhes é vedado o matrimónio!!

Quanto à adopção, o argumento que inviabiliza a adopção por casais homossexuais, consubstancia-se na possibilidade de essa vivência poder "baralhar" as crianças e assim influenciar a sua sexualidade, argumento este que não me convence!!. Afinal de contas os casais homossexuais nascem de casais heterossexuais, não é verdade? então, fica provado que não é esse facto, que influência a escolha (que quanto a mim não é escolha).

Não consigo de facto concordar com este fundamento. Creio que o processo de adopção por qualquer casal, seja ele hetero ou homosexual, deve ser muito bem analisado, com critérios muito especificos. Acredito que muitas crianças seriam concerteza muito mais amadas por um casal homo do que muitas o são por heterosexuais. Este é de facto um assunto delicado, mas não me chocaria nada aceitar a adopção por um casal homo desde que cumprisse todos os outros requisitos exigidos a um casal heterosexual!!

Para mim, ser bom pai e boa mãe nada tem a ver com a orientação sexual, mas sim com a capacidade de educar, amar, escutar, apoiar, dialogar, no fundo, na dedicação e amor com que conseguem "tentar" transmitir aos filhos todos os valores necessários, para que possam tornar-se boas pessoas, bons cidadãos!!

Não podemos por isso, também neste tema, ficar na cauda de Europa ... temos de evoluir!! A evolução dum povo vê-se na forma como os direitos dos cidadãos são consagrados e respeitados. Nós mulheres, não nos podemos esquecer que até há bem pouco tempo, também nós, eramos marginalizadas ... eramos vistas como pessoas de 2ª categoria, estando por isso privadas de muitos direitos, como por exemplo, o direito ao voto, que como sabem, é um direito relativamente recente. Ora, se também nós já sentimos na pele a marginalização, como podemos nós opor-nos, e dessa forma marginalizarmos pessoas só pela sua orientação sexual?

Não nos podemos esquecer, que é em nós que se encontra depositada a esperança da evolução, pois nos dias que correm, ainda é sobre nós, que recai grande parte da tarefa de educar os nossos filhos. Gostava de facto de ver aprovada esta alteração, para que assim me sentisse mais à vontade, para poder explicar e sensibilizar os meus filhos para este tema, envolto em polémica mas muito real.

Para que tenham a noção da dificuldade com que me deparo, aqui vos descrevo alguns diálogos que ocorrem por aqui!!

Um dia destes, estava abraçada à Rita, a enchê-la de beijos e vejo o Diogo a espreitar-nos ... com um arzinho de quem também queria mimo. Chamo-o para ao pé de nós, e estupidamente digo em jeito de graça: "ai os meus namoradinhos são tão bons" (aquelas coisas que se diz sem pensar, e que pensando bem, não fazem qualquer sentido, mas saiu-me). O que é certo é que a Rita começou logo a querer libertar-se dos meus braços e diz-me com um ar muito indignado: "namoradinhos? eu não posso ser tua namorada, pois somos duas meninas ... namorados é só entre menino e menina!!!"

É curioso que ela não fundamentou essa impossibilidade, com base no facto de sermos mãe e filha/filhos, mas sim no facto de nós duas pertencermos ao mesmo sexo, o que me deixou a pensar que, se a homossexualidade é uma realidade tão presente, se já não deveriam as nossas crianças estar preparadas para poderem aceitar, que embora em termos gerais a nossa sociedade seja maioritariamente heterossexual, a homossexualidade também existe, e em franca expansão!

Ao assistimos ao Jornal da TVI em que nos é comunicado o chumbo da proposta de lei, apareceram vários casais aos beijos (que como disse, me faz ainda alguma confusão) e a Rita só dizia: "Que nojo", "Oh mãe, mas não pode ser ... são duas senhoras!!!".

Agora digam-me lá, o que é que eu explico a esta criança? Digo-lhe que é normal, e ela depois começa a dizer o mesmo às amigas e as mães mais conservadoras expulsam-me daqui da terrinha? É que sinceramente já não sei o que diga!!

Por isso e por tudo o resto, pra mim deviam avançar com as alterações ao Código Civil, eles e elas que se casassem com quem bem entendessem, que fossem muito felizes ..... cá pró meu lado é que não, que eu gosto muito do meu Galvão!!!!! Sei que não estou a ser muito prudente com esta afirmação ... sempre ouvi dizer, que não se deve dizer, desta água não beberei, mas .... presentemente estou convicta da minha orientação!! E pronto, já disse!!!

Espero não ter chocado ninguém com esta minha opinião ... pois como sabem eu sou uma opinadeira (lol), e como tempo é coisa que não me falta, dá-me para isto!!!

6 comentários:

Anónimo disse...

filipa realmente e um problema para a nossa sociedade o casamento de pessoas do mesmo sexo.eu tenho dificuldade em dizer que sou contra e o amor que nos ajuda a avancar na vida.e não somos nos que decidimos de gostar ou não gostar todos nos temos o direito a ser felizes sem termos medo do olhar dos outros.a partir do momento que sejam pessoas adultas e responsaveis eu acho que devem ter os mesmos direitos que qualqer um de nos. beijinhos angelina

Liliana disse...

eu nao tenho nada contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo ...vivemos num pais livre e cada um pode amar quem quiser, apesar de serem vistos como "doentes" por muito boa gente...todavia fico um pouco reticente em relaçao a adopçao, sei que ha muitos pais hetero que infelizmente nao sao bons pais e tenho a certeza que o seriam com um casal homo, apesar de continuar a achar que a criança deve ter ummodelo de pai e mae, mas por outro lado ponho a questao, e se um homosexual separado e com a custodia do filho tera alguem o direito de lhe retirar a criança, respondo prontamente que nao, afinal ele e o pai...e umassunto que ainda suscita muita polemica, e um pouco melindroso, mas acho que devemos olhar para a sociedade que temos e dar-lhes os mesmos direitos que os ditos "normais"...amim tambem me faz confusao manifestaçao de amor por parte dos casais homosexuais, mas respeito...e como disse e melindroso o assunto, por isso so ainda nao tenho uma opiniao completamente formada em relaçao a adopçao, quanto ao casamento, querem casar entao que casem...

Obrigada minha querida e doce amiga,obrigada mesmo, nao estava nada a espera, mas deixaste-me feliz por saber que tenho desse lado o apoio de que preciso...

Beijinhos doces

Noc@s disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Noc@s disse...

Isto de se ter um governo que nem sim, nem não, sinceramente não sei para que servirá...
Mas em relação ao casamento, entre pessoas do mesmo sexo ou de sexo diferente, afinal é igual ou não a uma união de facto? Se é por causa dos filhos e das heranças e das visitas no hospital e do IRS e mais não sei o quê... Então eu pus-me efectivamente a pensar: mas afinal por que raio casam as pessoas?
Bem, eu casei. Não foi por causa do sexo pois que já o tinha antes do sim. Não foi por causa da casa que também já tinha uma, como tudo o resto, desde o microondas aos tupperwares. Muito menos por causa dos benefícios fiscais, que eu nem sabia que existiam e ainda hoje também ainda não sei, mas parece que sim, que é mais fácil comprarmos uma casa juntos e essas coisas todas, mas no meu caso até tive mais problemas depois de casada, mas não era nisso que eu pensava enquanto lhe punha a aliança no dedo. Não foi por causa das heranças (LOL, era bom que fosse, era!). Não foi por causa dos filhos, pois hoje em dia já não é problema. Então porque foi? Ah! o Amor. Pois é! O amor e essa coisa do para sempre, de termos um projecto de vida em comum, de querermos construir uma família, de querermos assumir um compromisso, para nós e perante os outros, claro, é assim tão difícil reconhecer que grande parte das coisas que fazemos na nossa vida têm um significado diferente quando são vividas em comunidade, que os rituais são isso mesmo, que essas vivências partilhadas ajudam-nos a construir um sentido? (e não estou a falar de aparências, estou a falar de vivências e significados) Dizemos ao mundo que somos um casal e segredamos entre nós que somos um para o outro. A partir desse momento, para que fique claro, o que é meu é teu e o que é teu é meu. Porque a partir de agora nós somos apenas um. A minha família é tua. A tua família é minha. E acreditamos e desejamos que assim seja por muito e muito tempo. Queremos envelhecer bem juntinhos. Queremos essas lamechices todas e mais as discussões, as desilusões e as rotinas que vêm por acréscimo.
E para isso é necessário casar? Para uns sim, para outros não. Para mim, sim, foi muito importante. E continua a ser importante. Digo mesmo que, em termos de direitos e deveres, se a união de facto e casamento fossem exactamente iguais, ainda assim, eu casaria. Há quem diga que um papel não muda nada. Eu não concordo, mas na boa, quem quiser casar casa, quem não quiser não casa, não é assim? Não vamos obrigar ninguém, afinal vivemos numa democracia. Quem quiser unir-se de facto pois que se una. Quem não quiser nada disto também é boa pessoa.
Ora é aqui que entra a outra questão. Há pessoas que querem casar e não podem. Há pessoas para quem isto é importante. E não o podem fazer. É justo?
Por isso uma resposta nim, ah e tal nós até achamos que sim mas só se votarem em nós outra vez no próximo ano é que poderão (quem sabe?) descobrir se nós vamos (ou não...) acabar com a discriminação. Mas o que é isto? Onde é que vamos parar...
Quando se fala tanto em crise, como é possível não se resolver um assunto que desde o meu ponto de vista é simples, e se passam horas e horas (o que implica o nosso dinheiro) a discutir uma coisa tão básica como deixar casar duas pessoas que gostam uma da outra.
Jocas indignadas

Patricia disse...

Eu sou muito prática nestas coisas... confesso que me faz impressão ver casais do mesmo sexo em manifestações de amor, mas a verdade é que acho que todas as pessoas têm o direito a ser felizes. Se no tempo dos gregos e do romanos as relações homossexuais existiam, por que motivo temos que ceder à imposição religiosa de um homem só poder estar com uma mulher e vice versa?
em relação à adopção, há tantas crianças abandonadas e essas pessoas têm tanto amor... a educação que lhes damos é que faz deles as pessoas que serão no futuro.

por isso acho muito bem que as pessoas casem (se isso as faz mais felizes) e que adoptem... já chega de pessoas infelizes.


beijos grandes

Carla Nunes disse...

Olá,

Andava pela net à procura de blogs sobre roupa em 2ª mão e dei com o seu blog e com este post, se me permite, deixo aqui a minha opinião.
Se os casais homosexuais querem casar através de registo civil por mim tudo bem, cada um sabe de si, mas não concordo com a adopção por diversas razões que dizem respeito ao bem estar físico e psicológico das crianças, como é que estas crianças serão vistas e tratadas nas escolas tanto pelos adultos como pelos seus colegas? Certamente que vão ouvir comentários e acusações extremamente desagradáveis que deixarão marcas profundas que em alguns casos poderão não só ser de natureza psicológica como física. Se para casar os casais alegaram discriminação, se não lhes fôr atribuida uma criança, mesmo com razões válidas não irão os casais alegar o mesmo argumento? Na declaração dos direitos da criança diz que a criança tem o direito a ter pai e mãe, não diz pai e pai ou mãe e mãe, aliás, não prevê estas situações, não me digam que se vai mudar a declaração dos direitos das crianças para ninguém se sentir injustiçado?
Se discutimos o tema do casamento e da adopção para os casais homosexuais devemos também discutir para os heterosexuais, existe em Portugal a separação entre o estado e a igreja mas se eu quiser casar exclusivamente pela igreja não posso, aliás recusam-se a fazê-lo porque não querem problemas, embora para mim o casamento seja algo espiritual. Porque é que um casal heterosexual que vive em união de facto à mais de 10 anos não consegue adoptar uma criança mesmo havendo uma abertura na lei?
É verdade que as crianças não escolhem as famílias onde nascem mas já que vamos escolher por elas ao menos vamos escolher famílias que não as exponham a perigos desnecessários.
Não me vou alongar mais, mas acho que já chega de hipocresia e mau uso do vocabulário, não acha?
Aproveito para lhe deixar aqui os meus parabens pelo blog está muito bom.

Cumprimentos