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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Trabalhar (fora de casa) ..... Sim ou Não? (Adenda)

Hoje, vou á tal entrevista que foi adiada. Podia pedir-vos para me desejarem sorte, mas não vale apena. Vou para me testar a mim própria, pois a bem da verdade, e embora contrariada, se me chamarem ... EU NÃO VOU.

Aqui por casa só se ouve: "não te quero cortar as pernas, mas acho que não devias ir, preciso de ti para me ajudares no negócio, para além disso, já viste que vais passar a vida a correr, entre o trabalho, a casa e os míudos?" "os miúdos estão habituados a teres muita disponibilidade para eles, já viste que se fores trabalhar, já não será assim? Já pensaste no que eles sentirão?, é que eu também não tenho tempo!!! "Já viste que teremos de ir fazer as compras no fim de semana, com tudo apinhado de gente e com os miudos atrás? " Será que vale a pena?", "Tu é que sabes, tu decides, mas acho que andar a correr também não é vida!!!"

A minha mãe:
- "Eu não tenho nada a ver com isso, a vida é vossa, mas acho que as crianças estão melhor se as puderes acompanhar, além disso, será que o ordenado vai valer apena para abdicares de dares uma maior e melhor assistência aos teus filhos? "
"Não precisas de ir trabalhar, afinal de contas quando eu morrer, ficarás bem!!!"

E é assim que aqui por casa ... me "incentivam" a ir trabalhar!!!

Sou sincera, já são muitos anos em casa, e nem tudo são desvantagens, mas eu estou tão, mas tão saturada de estar em casa. Sinto falta de ter uma rotina, uma disciplina, de ver gente, falar com colegas, de sentir orgulho no meu trabalho, de sentir que contribuo activamente para os bons resultados de uma empresa ... no fundo, de me sentir útil!!

A independência ... algo que sempre foi muito importante para mim, é algo de que não sinto falta, já que felizmente tenho um marido que deposita em mim a gestão dos dinheiros e está sempre a incentivar-me a investir em mim. Não é por aí ... é mais por não me identificar nada com as tarefas domésticas e sentir que me falta algo.

Afinal de contas, embora sempre a correr, acredito ser possível conciliar o trabalho com os filhos e a casa. Sei-o por experiência própria, pois afinal fui mãe com 16 anos, e a partir daí estudava, trabalhava, e tinha um filho e uma casa para tratar .... e embora sendo difícil, e andar sempre a correr, sempre dei conta do recado, e ainda me sinto com capacidade para dar.

Quem me conhece sabe, que sou dona e senhora das minhas decisões, e mesmo que contrarie a minha família, tenho coragem para decidir e assumir perante todos, as minhas decisões, mas no fundo, também sei que ao fazê-lo, teria de acartar sozinha as consequências dessa decisão. Assim, e uma vez que já há tempo, desisti de ser a Super Mulher, e não pretendo criar e educar duas crianças a correr e praticamente sozinha, dado o pouco tempo do meu marido tem, irei acatar as opiniões da família, e manter-me-ei como Gata Borralheira :(

Hoje sinto que de facto, para os meus filhos, eu ir trabalhar, comportava alterações nas suas rotinas. Teriam de acordar mais cedo, permanecer mais horas nas escolas, teria de ajudar a Rita nos trabalhos de fugida, e teria menos tempo de lazer com eles ... seriam naturalmente prejudicados, mas também sei, que os anos passam a correr, e dificilmente eles no futuro reconhecerão o esforço que irei fazer, ao abdicar de algo que quero, para os beneficiar a eles. Não darão valor, bem sei, mas ficarei com a consciência que fiz o que estava ao meu alcance para lhes proporcionar o melhor. Espero sinceramente que a vida não me atraiçoe, porque isto de pensar nos outros (mesmo que nos filhos) e esquecermo-nos de nós, nem sempre dá bom resultado, e um dia mais tarde pode dar azo a um grande arrependimento.
Filipa

PS- Agora vou ali à entrevista (não sei fazer o quê) mas vou!!!
Adenda - Após ter estado 3 horas à espera, eis que sou chamada. Ao entrar dão-me os parabéns pelo resultado obtido na Prova de conhecimentos (neste concurso tive 17,88 e no outro tive 18,40). Após 20 minutos ao ouvirem-me falar, eis que me dizem: "classificá-la para este concurso seria um insulto às suas habilitações e capacidades. Não a poderemos excluir, mas é obvio que não tem perfil para o desempenho desta actividade. !"
É curioso como uma "tampa", pode elevar a nossa auto-estima :)))
Agora falta-me a entrevista do outro concurso ... o tal dos 18,40!!!

8 comentários:

Edneia disse...

Querida Filipa, me desculpe a ausencia de comentarios, é que ultimamente tenho tempo apenas para postar e acabo deixando de visitar os blogs amigos...Fico feliz por seu Natal ter sido tranquilo e feliz, e as crianças devem ter ficado muito feliz com tantos presentes, sobre o trabalho, nem sei o que dizer, acho que voce deve fazer o que seu coração mandar, espero que tudo corra bem.
Desejo a voce e toda sua familia um Ano Novo fantastico e cheio de realizaçoes.

Beijos e muita Paz.

Maggie disse...

hummmm deixa-te estar em casa, trabalhar fora e dentro custa um bocadinho...
Felicidades
Maggie

Silvia disse...

n consegui deixar de me identificar... mas eu acho mm q vou tentar a «sorte» daqui a um anito... deixa ver o q dá.

kombi disse...

há 10 anos qd fui mãe pela 1ª vez abediquei de trabalhar e tal como tu tb já tive fases assim, de me sentir saturada e com falta de horários, pessoas etc.

tb dou apoio ao trabalho do marido ( que trabalha por conta própria, no meu caso dou apoio no "terreno" custumo andar com o empregado e certos trabalhos e o marido noutros, contacto com os clientes etc) e tb ele deposita em mim a parte financeira e tb tenho apoio da familia e tb adoro ter tempo para as minhas filhas, mas com elas acrescerem tão depressa sinto falta de algo......e olha decidi mos ter outro filho ( vamos lá a ver se vem o menino).

agora uma coisa sinto, sinto que as pessoas de fora não me dão valor, para eles sou uma desocupada, por ex se tenho que responder qual a minha profissão, pois é não tenho ( tenho uma amiga que tem o curso de professora mas nunca exerceu mas no entanto o estatuto ninguém lhe tira- é professora e não doméstica e mãe de a crianças.)

e depois tb há o factor " e se acontece algo ao meu marido" como faço para ter avida que tenho, e depois os descontos para a seg social ( tou apensar seriamente tb descontar) enfim são muitas coisas que pesam, agora garanto te que nada paga a nossa dedicação pelos filhos ( que no caso das minhas são apelidadas de inseguras e potegidas, enfim querem cada vez mais crainças desprnidas da familia, chamam a isso independentes).

boa sorte e que consigas o que queres.

eu da vezes que trabalhei depois de ser mãe não aguentei mais de 3 meses tudo pq não conseguia acatar odens e depois o ordenado não compensa (então se tiveres que pagar ATL, no meu caso tenho as avós).

Lisa disse...

isso será normal? lol
este país é para rir!
enfim! quanto ao te sentires util ... pq n investes num curso de manualidades para investires em ti?
bjinhos

Mamã e Tesourinhos disse...

Amiga,

Realmente ou temos pouco ou temos demais... parece que nunca conseguimos ter o meio termo ;).

Quanto ao não teres nada que fazer, porque não investir um pouco mais nas tuas habilidades? Hoje fui deixar umas amostras dos meus ganchos numa loja, vamos lá a ver se o dono gosta e aceita vendê-los.

Fica bem.
Bjs.

mamã da princesa disse...

As crianças deliraram com tantos presentes, certamente!
Quanto á tua situação,posso ser sincera... também gostava de estar em casa, ter nmais tempo para a minha filhota e assim até provavelmente já não era filha única!
Sei que por vezes uma pessoa cansa-se de não ter "vida própria", mas certamente acaba por compensar noutras situações...

Beijinhos e por mim (quem sou eu?!) tomas-te a decisão acertada.

Maria e Companhia disse...

Cada pessoa é que sabe o que pode ou não fazer...
A decisão é só sua... e seja ela qual for, certamente será a correcta...

Beijoquinhas fofas de

Maria & Companhia