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segunda-feira, 26 de maio de 2008

Um Episódio de Vida ... no Dentista!!

Ao André nunca caíam os dentes de leite, pelo que os definitivos apareciam completamente desalinhados, pois não tinham espaço por onde irromper.

Embora o pai também precisasse de arranjar a boca, optámos por levar o nosso filho ao dentista. Aconselharam-nos a adquirir um aparelho amovível, para usar durante cerca de 2 ou 3 meses para que se conseguisse ganhar espaço na boca.

Após esta etapa ser-se-ia colocado um aparelho fixo para alinhar a dentição. Ok, embora com um grande esforço financeiro, avançámos para o tratamento. Pagámos cerca de 400,00€ pelo dito aparelho, e ficamos ainda de ir pagando 40,00€ de 15 em 15 dias para os ajustes que eram necessários fazer.

Antes de avançarmos para o tratamento, explicamos-lhe que iríamos fazer um grande esforço financeiro, mas para que o tratamento fosse bem sucedido teríamos que contar com a sua colaboração.

Aceitou. Avançámos.

Todos os dias pela manhã lhe dava as recomendações necessárias, para ter cuidado, para não comer rebuçados nem pastilhas, para ter cuidado para não levar uma bolada na boca, etc.

Quando regressava da escola pela hora do almoço, ele nunca tinha o aparelho na boca. Ora estava dentro do bolso das calças, ora dentro da mala, ou do estojo dos lápis, em todo o lado, menos na boca. Isto acontecia todos os dias.

Eu ficava como doida a vê-lo procurar nos sítios mais estapafúrdios o aparelho que tanto nos custou pagar …. Até que um dia … quando tira o tira de dentro da mala o aparelho estava partido!!!

Fiquei petrificada e mandei-o ir ao dentista para tentar ver qual a possibilidade de recuperação. Lá tivemos sorte e com uma cola toda XPTO o dentista colou o aparelho.

Passado uns dias, já não me recordo a propósito do quê, ele cria uma situação qualquer (sinceramente já não me lembro) para que o pai fosse obrigado a tomar uma posição e lhe batesse e é nessa altura em que o pai lhe lá uma estalada que ele tira o aparelho da boca completamente partido ao meio.

Bem não queríamos acreditar no que víamos … e ainda mais, no descaramento que ele tinha tido de criar uma situação de extremo, que levasse o pai a agredi-lo, para que assim ele justificasse a quebra do aparelho.

Quis com isso transferir para o pai a responsabilidade da quebra de um aparelho que tinha sido quebrado na escola. Mais uma vez fomos ao dentista, e eis que pedindo imensa desculpa e alegando que seria a primeira vez em 20 anos de carreira, teria que terminar o tratamento pois o André não tinha maturidade para usar aparelho dentário.

Assim ainda hoje o meu filho tem os dentes todos “desarrumados” não por falta de cuidado ou interesse dos pais, mas por falta de responsabilidade.

Agora aqui tenho eu um aparelho que nos custou um dinheirão para servir de mera recordação!!! Até rima!! Lol!

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um Episódio de Vida ... Conversa entre Homens

Um dia, o meu filho, diz ao pai que queria falar com ele, pelo que, o meu marido lá lhe deu o tempo de antena que ele desejava. Eu preferi não estar presente, por forma a possibilitar aos dois, uma conversa de homem para homem.
No fundo o objectivo do meu filho seria reconhecer perante o pai que realmente o comportamento que sempre tivera não era o mais adequado, pelo que iria tentar emendar-se para que o ambiente em casa, e principalmente a relação dos dois pudesse melhorar. A reunião familiar, chamemos-lhe assim durou 2 horas!!.
Acabou com promessas de parte a parte, o meu filho alteraria o seu comportamento e o pai por sua vez, tentaria esquecer o passado, por forma a dar-mos inicio a uma nova fase da nossa vida. Bonito não é??
É, não fosse o facto de na manhã seguinte o meu marido ter-se dirigido ao café antes de entrar no seu trabalho, e ter constatado quando foi a pagar a conta que o filho lhe sacara o dinheiro da carteira (10,00 Euros).
Ou seja, lamentavelmente nós dormíamos com os nossos porta-moedas e telemóveis debaixo da nossa almofada, para não sermos “gamados” (desculpem a expressão) durante a noite. Tendo em conta as promessas feitas na tão bem intencionada conversa, o meu marido decidiu dar-lhe um voto de confiança, deixando a carteira dentro da sua mala.
Mas mais uma vez, a nossa confiança foi traída, e ele apunhalou-nos pelas costas!!!! Vivendo e …. Aprendendo!!!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Quarta-feira 8 de Março de 2006

Atenção: Este post são escritas algumas asneiras e uma delas muito feia!!!lol!!!
Esta situação que vou relatar poderá induzir em erro, pois poderá parecer uma situação ocorrida na casa de pessoas cuja educação e bons modos não abunda, mas tal não corresponde á verdade. Somos pessoas civilizadas, e na nossa casa, lá se diz uma ou outra asneira, mas nada que se compare com a falta de respeito e a ordinarice que este diálogo possa reflectir.
Então cá vai:
O meu filho vira-se para mim, e por mais incrível e impossível que isto vos possa parecer (e acreditem que para mim não foi menos) disse-me:
- Mãe quero-te pedir um favor. Na 6ª feira tenho de sair!
- Para quê? Onde queres ir? (pergunto eu)
- Sabes tenho de ir dar uma “Foda”
Resultado: Uma brutal discussão com direito uns estalos à mistura, tendo ficado “fechado” no quarto toda a tarde. Eu nem conseguia olhar para ele!!!!
Consequência: Aproveitou ter estado toda a tarde enfiado no quarto, colocou a roupa toda dentro de sacos e fê-las chegar pela janela do quarto à casa do vizinho de cima. Abriu a porta do quarto, a de casa, e saiu. Verifiquei nessa altura a ausência das roupas. Bati à porta do vizinho e exigi a entrega de todos os “bens” do André. Contudo tinha levado a chave de casa, que entregou dias mais tarde à minha mãe. Esta era a estratégia utilizada por ele. Provocar, provocar, provocar …. aproveitando o pico de uma discussão para fugir de casa. Aproveitava para nesses dias fazer o que realmente pretendia (ia para festas, discotecas, afterhours, praia, casa de amigas/os, etc). Passado o tempo de festa, lá ia bater á porta da minha mãe pedindo guarida … e mais uma vez ela dava! Ou seja, quando não conseguia fazer algo com a autorização dos pais … fazia-o á revelia utilizando esta estratégia!!!
Depois lá vinha a mãe chorar-se que ele precisava da roupa, e que agora ela (a mártir) é que tinha de alancar com os sacos da roupa às costas, e ainda por cima com tantas dores de rins, mas que ele coitadinho também precisava de se vestir, etc, etc.. Eu apenas lhe dizia que se ele precisava que a viesse buscar. Mas ele não tinha coragem. Passei-me completamente com tal lamuria mas principalmente pelo facto da minha mãe continuar a não perceber que, abrindo-lhe a porta de casa, estava-lhe a dar cartão verde para nos desrespeitar, e continuar assim a utilizar estas técnicas para fazer o que lhe passava pela cabeça. Confesso que me passei dos carretos com tanta burrice/incompreensão, e com o que estava a provocar na nossa vida, e na vida do meu filho. Tentei controlar a minha ira mas não foi possível … eu juro que tentei, mas antes que voasse a minha mãe do 3º andar abaixo, achei preferível fazer voar todas as roupas do meu filho, e o resultado foi mais uma vez assistir ao triste espectáculo de a ver ir apanhar peça por peça, às tantas da noite, estando o neto a curtir o serão num qualquer café das redondezas!! Não lhe chamaria amor, chamar-lhe-ia …… sei lá, é melhor nem dizer!!! Compreendo perfeitamente a necessidades que os adolescentes têm de sair, mas essas saídas tem de ter regras, horários e muita responsabilidade. Que abertura podia eu ter para o deixar sair se sabia que andaria com os pés no banco do metro, que partiria paragens, que andava a fugir dos cobradores pois fazia sempre questão de viajar sem pagar bilhete, que poderia apetecer-lhe roubar um qualquer inocente, ou que o mais provável era receber um telefonema para o ir buscar a uma esquadra de polícia? Liberdade sim mas com Responsabilidade. Para mim cada saída dele representava uma grande angustia e expectativa … alguma coisa de mal aconteceria. Durante a estadia do André na casa da minha mãe eramos bombardeados com chamadas telefónicas, com relatos de insultos levados a cabo por ele, intimidações, chantagem, violencia, etc. Não poucas vezes eu na minha casa, ouvia as discussões entre eles, com as asneiras mais obscenas, que poderiam ser ouvidas a milhas de distância. Lá ia eu, a caminho de casa da minha mãe, tentar acalmá-lo para que a situação não tomasse outro tipo de proporção. Ela acaba por dizer que não agentava aqueles maus tratos, que ele era mesmo uma "grande besta" e que não permitia mais cenas daquelas. Ou seja, o meu filho estava na rua. Pelo que lá eu estava a bramar horas a fio, chamando-o a atenção para o despropósito da situação que ele criara e levava-o para casa. Semanas mais tarde tudo se repetiria, e assim andámos anos a fio .... agora não ... cansei-me de dar oportunidades atrás umas das outras! Se ele não consegue viver em familia paciência, não consigo andar com ele às costas durante toda a vida. Oportunidades foram-lhe dadas. Tivesse estudado, tivesse aproveitado as fantásticas oportunidades de emprego que lhe deram, com ordenados que lhe permitiam ser independente. Não quer trabalhar, então tenho pena, esse provavelmente seria o desejo de muitos de nós, mas como as coisas não caem do ceu, só temos mesmo é de nos aguentarmos e fazermos os sacrificios necessários para que possamos comprar e adquirir aquilo que nos dá prazer!!! Sim, porque lamento muito, mas não somos daqueles pais que se esmifram a trabalhar, de dia e de noite, nos trabalhos mais precários para que os filhinhos saudáveis, com bom cabedal estejam todo o dia de papo para o ar, ou a jogar Playstation. Isso tenham paciência mas cá em casa não dá!!!!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Um Episódio .... faltas

O meu filho andou na escola durante 5 anos em que as aulas começavam em Setembro e ele em Outubro já estava "retido" por faltas. Nessa situação só poderia passar desde que tivesse aproveitamento (o que seria pouco provável), e com o aval dos professores. Ou seja, fica dependente da boa vontade dos Profs. Eu jamais me colocaria nessa situação de dependencia da boa fé de terceiros, mas enfim .... ele assim fazia. Chegava ao final do ano com centenas de faltas, e quando eu o interrogava como é que era possível ele ter 300 faltas no ano lectivo ... ele corrigia-me com ar provocador dizendo-me: não são 300 mãe, são 301!!!!!. A uma dada altura a Directora de Turma telefona-me, afim de me perguntar se ele já estava melhor da broncopneumonia???. Como? pergunto eu. Resumindo, o meu filho já não punha os pés na escola há mais de 2 semanas. Marcámos reunião para o dia seguinte. Fiquei de me fazer acompanhar pelo André. A reunião durou nada mais nada menos que 4 horas e contou com a presença da psicologa da escola que juntamente comigo e com a Directora estudou a melhor forma de ajudarmos o André. O objectivo seria convencê-lo a completar pelo menos o 6º ano com vista a ser encaminhado para um curso tecnico-profissional, para poder ter correspondencia com o 7º, 8º e 9ºs anos. Infelizmente, só existe um curso tecnico-profissional para quem não tenha completado o 6º ano, o curso de jardineiro!!!!! e está sempre cheio!!! Todas as profissões são importantes, mas bolas, que desgosto, ter o nosso rico filhinho a não deixar outra alternativa senão estas profissões, digamos que, menos prestigiantes!!!. na reunião ele teve a certeza que se não completasse o 6º ano, não tinha hipoteses de evoluir para o que quer que fosse. Infelizmente, mais tarde vim a saber que essa era a notícia que ele sempre quis ouvir. Ficou acordado na reunião que os professores tudo fariam para o ajudar a recuperar o tempo perdido, e que ele voltaria à escola naturalmente no dia seguinte. Estavamos numa 3ª feira. No dia seguinte e nos que se seguiram o meu filho saiu de casa como fazia habitualmente. Na 2ª feira seguinte recebo novamente o telefonema da Directora de Turma, que na sua ingenuidade me pergunta: "Então D. Filipa o que se passa, o seu marido não deixou o André regressar à escola?". Ou seja, o meu filho faz-nos estar 4 horas a debater o seu futuro, comprometesse a regressar à escola, e volta a faltar como se nada se tivesse passado. Aquela alminha dava-se ao trabalho de acordar, vestir-se e sair de casa como se fosse para a escola, e afinal ia jogar Playstation para casa do vizinho de cima. E aqui a "je" sem dar conta. Quem não me conhece até pode pensar que eu sou burrinha de todo, mas tal não é verdade, modestia à parte até sou espertinha, mas pelos vistos não tanto como pensava que era. Não não é verdade, o mentiroso é que tem uma grande qualidade!!!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Um episódio ... com Roubo de um Chapéu

Uma vez, alegando que iria procurar trabalho saiu de casa ... passadas duas horas chega a casa, indo de imediato para o quarto ouvir música. Passados alguns minutos tocam-me à porta, era a Policia perguntando por ele. Chamei-o. O agente pede-lhe o chapéu que tinha roubado a um miúdo, e a quem tinha ameaçado de espancar caso ele dissesse quem é que o tinha roubado. Fiquei incrédula e perguntei-lhe o porquê daquele comportamento (afinal de contas ele tinha vários chapéus), ao que me respondeu:

" … sei lá ... eu até nem gosto do chapéu, roubei porque me apeteceu”!!!!

Não dava para acreditar. Disse-lhe que o mínimo que poderia fazer era telefonar para a mãe do menino que ele roubou, afim de lhes pedir desculpa. Naturalmente que recusou. O meu mau feitio entra em acção. Disse-lhe. "... ou ligas a bem ou ligas a mal". Não quis. Perguntei-lhe se era preciso partir para a violência para que ele fizesse o que lhe pedia ... respondeu que sim. Bati-lhe, e só assim, ele se dirigiu ao telefone a soluçar para cumprir a sua obrigação.

Ele exigia que tomássemos posições de força …. O que era deveras desgastante. Sempre me mantive firme, pois sabia que era a solução para não ser eu a agredida, nunca mostrei medo, sempre o enfrentei, mas até durante a minha gravidez eu tinha de tomar o pulso, pois nessas alturas em que eu estava mais frágil, ele fazia as investidas dele, para passar a controlar a situação, como que, a querer inverter os papeis.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Um episodio .... desaparecimento de telemóvel

Sou muito distraída. Nunca sei onde deixo as minhas coisas. O meu telemóvel por exemplo pode estar num qualquer local da minha casa, tanto pode estar em cima do autoclismo, como dentro do cesto dos brinquedos dos meus filhos. Enfim, eu sou mesmo assim! Mas, houve um dia em que o telemóvel foi o ultimo objecto em que mexi antes de me deitar. Tive a certeza absoluta do local onde o deixei (em cima da mesa da sala), vá lá, nesse dia até nem ficou mal instalado. Lol!!. De manhã acordo e tenho necessidade de fazer uma chamada telefónica. Pego no telefone de casa (rede fixa) e eis que estava sem rede. Tinha sido a minha Rita, que na altura se arrastava pelo chão (pois nunca conseguiu gatinhar) que mexera na ligação do telefone, tendo-lhe desligado os fios. Como não era fácil consertar, lembrei-me do telemóvel. Constato que não estava onde o deixara. Comecei logo a imaginar o filme. O meu filho levara o telemóvel para a escola e a esta altura já estaria mais que vendido!! Depois deste pensamento ainda pensei que pudesse ser o eu marido mexer, mas seria muito pouco provável. Ele não mexe nas minhas coisas, nem eu nas dele. Ainda assim, tinha que confirmar. Eu tinha que lhe telefonar. Mas como? estava sem telefone. A única solução era tentar ir buscar uma chave de fendas e consertar o telefone. Toda eu tremia, estava enervada. Lá reparei o telefone. Liguei ao meu marido que obviamente confirmou que não mexera no telemóvel, garantindo-me ainda que às 6:00 da manhã, o telefone já não estava em cima da mesa. Confirmadas as suspeitas. Tinha sido o André. Em desespero liguei para a escola para que alguém o chamasse ao telefone, por forma a pedir-lhe que tentasse recuperar o telemóvel. Recusaram-se alegando que iria perturbar , blá, blá, blá. A solução seria acordar a Rita vesti-la e dirigir-me (a pé e com ela ao colo) à escola. Assim fiz. O caminho que até é curto pareceu-me infinito. Cheguei á parte exterior da escola, e avistei-o ... para variar fora da escola e a jogar á bola. Em absoluto estado de nervos começo a perguntar pelo telemóvel. Respondeu-me: "sei lá do teu telemóvel, tu é que sabes!. Negou ter visto ou mexido no telemóvel. Expliquei-lhe que não havia alternativa, só poderia ter sido ele. Pedi-lhe, supliquei-lhe que me contasse a verdade, para ainda irmos tentar recuperar o telemóvel. Jurou não ter mexido, indiferente ao meu estado. Como o Director da escola negava sempre que o André saísse da escola, decidi ir comprovar-lhe, que mais uma vez, o meu filho escapara ao sistema de segurança instaurado no recinto escolar. Estivemos os três à conversa durante largos minutos, até que o Director pediu ao André para nos deixar a sós. E eis que o meu filho ao sair .... me diz: “Mãe está aqui o telemóvel”. Só pergunto se não teria sido mais fácil ter desde logo assumido que o tinha, por forma a terminar com o meu estado, de quase histeria? Há coisas que não consigo compreender ….Sinceramente este meu filho tem levado parte da sua vida a provocar e desafiar aqueles que o rodeiam.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Um Episódio de Vida ....na Oficina

O meu filho é o rapaz dos 7 ofícios. Já trabalhou em enúmeras áreas, mas sempre por muito pouco tempo. A uma dada altura, a minha mãe conseguiu arranjar-lhe trabalho na oficina onde levava o carro há mais de 30 anos.
O mecânico já sabia que o meu filho era problemático, mas também ele pensou, que o André se integraria bem, estava perto de casa, a trabalhar com conhecidos, numa area que sempre gostou, enfim. O André começou então a trabalhar. Vinha almoçar a casa, aproveitando o almoço para me relatar a sua manhã de trabalho. Com todas as "facadas nas costas" que tenho levado, tenho-me tornado uma mãe muito desconfiada, pelo que, pensava eu, estava sempre atenta aos pormenores.
Num belo dia, como de costume, ele veio almoçar, mas eu achei que para quem trabalha numa oficina vinha com as mãos muito limpinhas. Perguntei-lhe então se ele tinha a certeza que tinha estado a trabalhar, e claro, ele afirmou que sim, dizendo que tinha lavado muito bem as mãos, etc, etc ... fazendo um esforço por me relatar os acontecimentos daquela manhã. Ok eu acreditei.
No dia seguinte, reparo novamente nas mãos, desta vez, muito mais sujas que no dia anterior. Não sei porquê, mas achei muito estranho. Havia ali qualquer coisa que não estava bem. Acho que as achei ... sujas demais!!!! Até a cara estava chamuscada!!
Justificou com o facto do filho do patrão na brincadeira lhe ter mascarado a cara. Será que a situação era possível de acontecer? Não digo que não, aliás .... claro que é possível!. Mas o meu "feeling" inquietava-me.
Decidi que ao final da tarde, o iria buscar à oficina. E assim fiz. Cheguei lá parei o carro, e vi que os mecânicos estavam ocupados a entregar carros aos clientes. O meu filho nem vê-lo. Continuei à espera, na esperança que ele estivesse nos balneários. Passado um pouco, o filho do mecânico dirige-se a mim, perguntando-me se estava tudo bem, ao que respondi que sim. Dei com ele, a olhar para mim, como que perguntando em silêncio, o que é que eu estava ali a fazer. Disse-lhe que estava à espera do André. Ele franziu o sobrolho. Eu, percebi perfeitamente a sua estranheza. Contou-me então que o André tinha chegado á oficina pelas 09:00 horas da manhã, dizendo que não se sentia muito bem disposto. Esperaram que ele recuperasse um pouco, mas como tal não veio a acontecer. O André pelas 09:15 pediu para o dispensarem, pois não se sentia em condições para trabalhar. Pensaram eles que ele tivesse ido para casa.
Não sei explicar o que senti!!!!! Como é que é possível, ter ido representar uma manhã de trabalho, no decorrer da hora de almoço, dando-se ao trabalho de até fingir o cumprimento de um horário de trabalho??? Inacreditável.
No entanto, uma dúvida subsistia ... como é que ele estava todo mascarrado? Vim a saber mais tarde que tinha enfiado a mão num tubo de escape de um carro, para dessa forma, encenar um dia na oficina. Digam lá, não é para todos!!!!!!

terça-feira, 13 de maio de 2008

Um Episódio de vida ... no Café dos meus Sogros

Uma história de vida ....em que, qualquer semelhança com uma história de ficção ... é pura coincidência!!!
Como o meu filho não queria estudar, deslocando-se à escola apenas e só, para provocar desacatos, o meu sogro (que é proprietário de um café), disponibilizou-se para o ter lá, para que se mantivesse ocupado, e não pensasse em dispares. Todos os dias de manhã, o meu filho saía de casa pelas 07:15 para apanhar a camioneta que o levava até a casa dos avós. Chegando lá, apanhava boleia dos avós até ao café. O único senão, era o facto dos meus sogros fecharem o café perto das 23.00, um horário extenso para uma criança de 15 anos.
Ainda assim, deixámos que ele cumprisse o horário, para que de uma vez por todas se convencesse que a vida é difícil, e que é preciso trabalhar muito e muitas horas, para se conseguir ter alguma coisa (infelizmente com um pai que trabalha de sol a sol, o meu filho nunca conseguiu ver, como difícil é a vida). Passados 4 ou 5 dias, o meu marido ao sair do trabalho, decidiu ir buscar o filho para que este regressasse a casa mais cedo.
Chegado ao café do pai, ficaram ambos à conversa ao balcão, e eis que o meu sogro coloca a questão: “Então mas o que é que estás aqui a fazer?”. Eu nem quero imaginar a cara do meu marido!! Venho buscar o André, retorquiu. Buscar o André? Mas o André não está cá. Sintetizando, na véspera, aproveitando o facto de eu e o pai estarmos à conversa na cozinha, o meu filho, telefona para o avô, pedindo-lhe que o dispensa-se do trabalho do dia seguinte, pois sentia-se cansado. O meu sogro naturalmente consentiu. O meu marido como almoçava em casa, tinha constatado que o filho não estava em casa, pensava ele que tinha ido trabalhar. Mas afinal estava enganado. Antes de tirar conclusões precipitadas, o meu marido telefona-me, perguntando-me pelo André, naturalmente que respondi que deveria estar com os avós. Inteirei-me da situação e acabámos por combinar que aguardaríamos a chegada dele, para saber o que se passava.
Chegou pelas 23:30, como se nada fosse. Eu fiz um esforço sobrenatural para abrir a porta sem parecer exaltada. Perguntei-lhe como correra o dia. Explicou-me tudo ao pormenor, chegando ao ponto de me dizer quantos almoços os avós tinham servido, transcreveu conversas com os clientes, estado de espírito do avô, etc.
Eu e o pai assistíamos petrificados à descrição de um dia de trabalho que não existiu. Depois de todos os disparates, perguntei se ele acreditava em todas as mentiras que nos estava a contar. Claro que acreditava!!! Acabou por contar que tinha passado o dia com amigos a jogar à bola e a fazer sei lá mais o quê!!!!! É preciso paciência …. Muita paciência!!!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Um Episódio de Vida ... na Zara

Uma história de vida ... em que, qualquer semelhança com uma história de ficção ... é pura coincidência!!
Um dia ... dirigi-me ao Centro Comercial Colombo acompanhada pela minha mãe e pelo meu filho (na altura ainda filho único). Entrámos na Zara, e eis que passado pouco tempo, pede-me para lhe comprar um cinto. Expliquei-lhe que não iria comprar, primeiro, porque ele tinha vários e não precisava, e depois porque não podia estar a gastar dinheiro com extras completamente desnecessários. Não refilou. Estranhei. Passado breves minutos, começo a ver que ele estava a colocar o cinto nas suas próprias calças. Mais uma vez fui posta à prova. Achei que se eu estava a ver, não podia fazer de conta que não sabia. Eu tinha de agir. Mais uma vez confirmei que todas as diligências do passado não surtiram efeito. Dirigi-me aos seguranças, expliquei-lhes o que estava a acontecer. Pedi-lhes que quando saissemos o interpelassem, solicitando contudo, a maior das discrições. Afinal eu era mãe ... não o queria expor, ... mas as tentativas mais suaves não resultavam, pelo que talvez assim, ele apanhasse um "susto" e nunca mais voltasse a roubar. Os seguranças perceberam a ideia e cumpriram com o solicitado, mas infelizmente não resultou ... pois episodios destes voltaram a repetir-se!!
Beijos
Filipa

domingo, 11 de maio de 2008

Um Episódio de Vida ... com uma nota da comoda

Uma história de vida ... em que, qualquer semelhança com uma história de ficção ... é pura coincidência!!

Numa altura o meu filho arranjou trabalho como aprendiz de calceteiro. Como executava esses trabalhos, em locais distantes de restaurantes, tinha de levar o almoço numa marmita. Aqui a "je", como estava em casa por opção familiar, disponibilizei-me (não fiz mais que a minha obrigação), para lhe fazer o almoço, para ele levar. Mais, achei que era minha obrigação fazer o almoço de manhã, para que a comida ficasse mais fresquinha. E eis, que todos os dias, me levantava às 6:30 da manhã para cozinhar! Fazia-o com muito gosto, e orgulhosa por cumprir com tanto zelo o meu papel de mãe. O pior foi o resto! Num desses dias, pedi ao meu marido para me deixar dinheiro, para eu ir de manhã ao Quiosque da D. Tara comprar legumes para fazer uma sopinha para a Rita. Ele deixou-me 10,00€ em cima da cómoda. Preparo o comerzinho ao filho, despeço-me dele com um beijinho, desejando-lhe um bom dia de trabalho. Volto novamente para a cama para poder dormir mais um bocadinho. Mais tarde acordo, visto-me, acordo a minha filha, dou-lhe de comer, visto-a, e vou fazer a minha cama para me dirigir às compras. Tudo normal, até ter reparado que a nota de 10,00€ que o meu marido deixara desaparecera. Fiquei incrédula. Como é que era possível, que o meu próprio filho tivesse coragem de mais uma vez me roubar? .... e ainda por cima, enquanto eu na minha boa fé e ignorancia, cozinhava com tanto amor e carinho o seu almoço. Claro que peguei no telefone, berrei, insultei, esperneei, exigi (claro que em vão), que me aparecesse com o dinheiro. Negou sempre. Passados 10 minutos confessou aquilo que era obvio e não oferecia duvidas. Eu tinha sido roubada!!!

Agora, passado este tempo todo, sobre estes acontecimentos, quase que consigo sorrir lembrando-me das figuras ridiculas/estupidas que fiz. Não imaginam a quantidade de vezes que arredei a comoda, na estupida esperança de ver a nota lá caída. Eu acreditava que tudo era possível ... só não acreditava que a desconsideração pudesse chegar a este ponto. Não consigo transmitir a confusão de sentimentos que nos assolam nestes momentos, e a revolta que se sente quando um filho nos rouba vergonhosamente e ainda temos que lhe colocar um prato de comida à frente para que se alimente!!!! É um torbilhão de sentimentos contraditórios! Mãe sofre!!!

Um Beijinho

Filipa

sábado, 10 de maio de 2008

Um Episódio de Vida ... Exame do 6º ano

Todos os anos em Outubro o meu filho ficava retido por faltas, chegando ao final do ano lectivo reprovado. Eu passava horas, dias e semanas sentada em frente a uma mesa, inventando exercícios para ele fazer, explicava-lhe a matéria toda. Os colegas chegavam a ir para minha casa onde eu tentava ajuda-los. Os outros tinham sempre excelentes notas. Pelo contrário, o André, embora sabendo os livros quase de cor, não respondia a uma só pergunta, limitando-se a preencher com o seu nome a folha de teste, isto quando ia às aulas, pois geralmente, pese embora o meu esforço e empenho, faltava à aula do teste.

Eu sinceramente sentia-me gozada, ainda assim, nunca cruzei os braços, não conseguia mentalizar-me que iria ficar com um filho analfabeto, logo eu que tanto tinha lutado para poder ser uma pessoa minimamente instruída. Comecei a convencê-lo a ir propor-se a exame, ao que ele aceitou. Pensei que era uma missão impossível para ele, sem ajuda (convem lembrar que é hiperactivo), nunca iria conseguir!!! Acordei com ele que eu iria fazer o resumo de todas as disciplinas para que o nº de folhas que ele tivesse de ler fosse o mais reduzido possível.

Mais, prontifiquei-me a fazer cerca de 100 perguntas e respostas, para que fosse quase impossível os professores fazerem alguma pergunta que eu não tivesse equacionado (tecnica que aprendi na faculdade). Assim aumentávamos as probabilidades de sucesso. Insisti para que se deslocasse à escola afim de ver o calendário dos exames, e a resposta dele era sempre a mesma, “…ainda não saiu nada”. Estranhei! Dirigi-me à escola, e qual não é o meu espanto, quando vejo, que o primeiro exame era já, daqui a 3 dias.

Afinal a pauta dos exames estava exposta há mais de 1 mês e meio. Fiquei revoltada, mas não era tempo para discussões, tinha era de ter a matéria toda sintetizada, para que ele a estudasse. Passei um dia e uma noite sem ir à cama, para fazer os resumos do livro de História e as perguntas/respostas. Ele passava por mim, e dizia-me … “bem, granda maluca!!”.

O pai tentava chamar-me à razão, dizendo-me que eu estava a fazer papel de parva, que o André ainda gozava com a situação. Eu não ligava. O meu filho tinha que completar o ciclo preparatório!!
Pu-lo a estudar a matéria do primeiro teste (historia). Na pauta estava afixada a matéria sobre a qual ia incidir o exame, e estavam as perguntas quase que, desculpem a expressão, “escarrapachadas”. Transcrevi as perguntas e formulei as respostas. Ele estudou, tinha a matéria quase decorada. Eu fazia-lhe as perguntas, ele dava as respostas, eu completava, o que ele se esquecia.

Parti do princípio que mesmo correndo mal, ele nunca teria menos de 80% de pontuação. Chegou o dia do exame. Desejei-lhe boa sorte e ele lá foi. Eu, continuava em casa, embrenhada nos outros livros e no computador, a sintetizar a matéria. Ele chega a casa …. Perguntei-lhe entusiasmada, então como correu? …. Respondeu-me: “…. Bem, nem imaginas, as perguntas eram exactamente as que tu fizeste” … ao que eu pergunto … “então correu-te bem, quanto é que achas que vais ter?”, … e eis que escuto a resposta que jamais pensei ouvir “…. Não me correu bem, as perguntas eram iguais, mas a ordem com que foram colocadas era diferente, não consegui responder a nenhuma!!!!”

Eu não sabia se havia de me mandar para o chão, se deveria rir à gargalhada, se havia de o esbofetear, se haveria de gritar por socorro, ou se pedia para alguém me beliscar! A reacção que tive foi deixar escorrer duas lágrimas, mas mais uma vez, não havia tempo a perder …. Ele poderia passar com 1 negativa, e esta, já era uma certeza. Voltei ao computador, e consegui disponibilizar-lhe tudo o que necessitava. Ele fez os exames, uns, correram melhor que outros, houve professores que quase faziam os testes por ele, ainda assim, não conseguiu passar de ano, pois teimou que não queria fazer o exame de música, pelo que não foi possível! Quando alguém não quer ser ajudado, não quer ser ninguém, não vale a pena!!!!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Um Episódio de vida ... no Quiosque das Frutas

Uma história de vida ..... em que, qualquer semelhança com uma história de ficção ..... é pura coincidência!!!

Na rua onde morávamos existia um quiosque de frutas e legumes, negócio pertencente a uma família de Indianos, muito simpáticos. Quando eu precisava de comprar alguma coisa, pedia ao meu filho o favor de lá ir. Eu dava-lhe o dinheiro e ele lá ia. Voltava com o que lhe pedia mais o troco. Num belo dia, decidi que iria eu às compras. Aviei-me e peço à D. Tara (proprietária do negócio e uma jóia de pessoa), o favor de pesar e fazer a conta, e eis que me diz o seguinte: "Oh Filipa quer que junte a outra conta?". E eu com cara de estupida: "Conta? qual conta?".

A D. Tara ficou encavacada e diz-me: "nada, esqueça, não é nada, deixe estar". Claro que se viu obrigada a contar-me que o meu filho, já há algumas semanas, aviava o que eu lhe pedia, e não pagava, ficando a acumular na "conta". Já devia 43,50€. Meu Deus, que vergonha!!! Fiquei azul de raiva e de indignação. Bem sei, que o fiado é recurso para muitos, mas para nós é impensável e impraticável. Mais uma vez, tive de concluir, que ele não mereceu a minha confiança, mais uma vez, eu sentia-me traída. Claro que a partir daí sim, e pela primeira vez, em toda a minha vida, aderi à "força" ao fiado. Comprávamos as coisas e eu pagava semanalmente. Triste não?!!!! E o pormenor dele aparecer em casa com as compras e o troco? Caramba, até se dava ao trabalho de destrocar o dinheiro, para me roubar! Está no sangue, não há hipotese!!!