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sábado, 14 de novembro de 2009

Ida ao médico

Ontem fui ao médico. Não que esteja doente, mas somente, para solicitar os tão necessários exames de rotina. Vim de lá com uma panóplia de exames para fazer, e com uma consulta marcada para oncologia, e isto porque, como sou filha de alguém que faleceu de uma doença oncológica (para além de outros familiares), tenho provavelmente maiores possibilidades de vir a padecer desta doença. Assim, vou ser encaminhada para o IPO, afim de verificarem os indicadores de risco, e a partir daí (dependendo dos resultados) estabelecerem uma planificação de exames de rotina com vista a apostarmos na prevenção.

Tenho tentado ao longo dos anos não pensar muito neste assunto, mas para ser sincera, há sempre algo no meu intimo que não me permite esquecer e baixar os braços. Parece que há algo que me mantem alerta, principalmente, quando há 11 anos me apareceu um polipo, e o meu médico achou por bem que eu fosse operada, para que ele não desenvolve-se algo maligno.

Curiosamente, como sou uma pessoa que no meio das minhas fatalidades também me acontecem coisas muito positivas, pouco antes de ser operada, o polipo desapareceu, foi reabsorvido, dizem.

Para a semana, vou ver se por acaso o dito, não teria algum irmão que me tenha vindo visitar.

Felizmente tenho sido uma pessoa saudável, e só desejo que o continue a ser, pois quando vou ao médico é inevitável não vir deprimida. Entristece-me ver as salas de espera a abarrotar de idosos, que com as suas fragilidades, se vêm impossibilitados de se expressarem e moverem como deveriam. É um constante sussurrar de males, e uma indisfarsável revolta contra a falta de assistência a que estão sujeitos. Nesta sociedade, os idodos são grande parte das vezes menosprezados e colocados à parte, pois já não produzem, empatam e consomem o dinheiro dos que agora produzem, ficando assim esquecida, toda uma vida de luta e de contribuição.

Fico triste e a pensar, que se por um lado gostava de viver muitos e longos anos, para poder acompanhar os meus, por outro, sinto-me muito receosa e com medo de me ser permitido chegar a tão elevado grau de "decadência". Tenho medo de envelhecer, tenho medo de perder as forças para lutar pelos meus direitos, tenho medo do que sentirei quando verificar que olham para mim como alguém que não faz falta e que somente empata. :(((

Beijos para todos e bom fim de semana

PS - Vou ali à aldeia da roupa branca, onde alguns dos meus trabalhos estão expostos, pela mão de uma amiga.

7 comentários:

angelina disse...

boa tarde Filipa
eu tambem estou igual tenho muito medo de envelhecer . mas a vida è assim os velhinhos merecem todo o nosso carinho e respeito.para mim são como as crianças preçisam de serem protegidos e ajudados.
nòs somos os velhinhos de amanhã.
bom fim de semana
beijinhos
angelina

Liliana disse...

Ola Amiga

Vais ver que vai estar tudo bem contigo, mas acho correcto que o medico te tenha encaminhado para ver o grau de risco, muito sensato da parte dele....

Em relaçao ao post do hospital, fiquei parva pela forma prepotente que a enfermeira te estava a tratar, a ti e aos outros doente que estavam a horas a espera, e chamar-te mentirosa?! fizeste o que eu teria feito, que e reclamar, o problema e que a maioria das pessoas nao se quer chatear, e acomoda-se as situaçoes, nao pode ser assim, se nao o nosso país continuará sempre na mesma devido a inercia das pessoas lesadas...venham mais atitudes como a tua

Boas vendas na feirinha

Beijocas e Bom Fim de Semana

pedradababy disse...

Oi Filipa. Fazes bem em vigiar e não baixar a guarda, porque é assim que se previne o pior, tendo em conta que a ciência hoje em dia, consegue resolver quase tudo desde que detectado a tempo. Quanto à velhiçe é de facto um receio que todos temos mas convivo com alguns velhotes que se mostram tão tranquilos em relação a isso que acabam por me transmitir essa mesma tranquilidade. O certo é cultivar o amor e o respeito na família, amigo e comunidade que nos envolve e no fim com certeza estaremos bem amparados. Deixa nas mãos de Deus porque nenhum de nós sabe o nosso destino.
Boa sorte para a exposição, os objectos que aqui postaste estão lindos e darão boas prendas de natal.
Beijoooooooooooooooo

Susana Pina disse...

Sabes Filipa, também me faz muita confusão, não o envelhecimento, mas a perda das faculdades. Tento não pensar muito nisso, mas às vezes é inevitável.
Fazes muito bem fazer essa vigilância. Prevenção é sempre o lema a seguir.
Um bj muito grande e uma boa semana para vós
susana

A mamã disse...

eu tb tenho pensado nisso dia pra dia :-(
como posso ter medo de envelhecer e ainda querer tanto outra menina ??
sou doida eu sei (balança e nunca sei o que quero)

Mamã da Rafinha disse...

Pois é inevitável:(

Eu que já estou na ternura dos 40 também tenho pensado nisso:(

Filipa, recebi o recado da Paula e não sei o que se passa:(
Tu fazes parte dos leitores que recebeu convite...olha deixa-me ficar aqui, ou na Paula o teu mail, que envio novo convite ok?


Beijinhos carinhosos com o desejo de 1 boa semana:)

Mamã da Rafinha disse...

Ps. desculpa a minha ausencia, tenho estado sozinha no serviço, e não tenho conseguido colocar todas as visitas em dia:(