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sexta-feira, 30 de abril de 2010

PARTICIPAÇÃO DISCIPLINAR MUITO GRAVE

(Recebido por e-mail)


PARTICIPAÇÃO DISCIPLINAR MUITO GRAVE:

Professora agredida: Leonídia Marinho

Grupo Disciplinar: 10º B - Filosofia

Agressor:



Contextualização:

Dia vinte e seis de Março de 2010. Último dia de aulas. Às 14 horas dirigi-me à sala 15 no Pavilhão A para dar a aula de Área de Integração à turma 10º DG do Curso Profissional de Design Gráfico. Propus aos alunos a ida à exposição no Polivalente e à Feira do Livro, actividades a decorrer no âmbito dos dias da ESE. A grande maioria dos elementos da turma concordou, com excepção de três ou quatro elementos que queriam permanecer dentro da sala de aula sozinhos. Deixar que os alunos fiquem sozinhos na sala de aula sem a presença do professor é algo que não está previsto no Regulamento Interno da Escola pelo que, perante a resistência dos alunos que não manifestavam qualquer interesse nas actividades supracitadas decidi que ficaríamos todos na sala com a seguinte tarefa: cada aluno deveria produzir um texto subordinado ao tema "A socialização" o qual me deveria ser entregue no final da aula. Será preciso dizer qual a reacção dos alunos? Apenas poderei afirmar que os alunos desta turma resistem sempre pela negativa a qualquer trabalho porque a escola é, na sua perspectiva, um espaço de divertimento mais do que um espaço de trabalho. Digamos que é uma Escola a fingir onde TUDO É PERMITIDO!

É muito fácil não ter problemas com os alunos. Basta concordar com eles e obedecer aos seus caprichos. Esta não é, para mim, uma solução apaziguadora do meu estado de espírito. Antes pelo contrário. A seriedade é uma bússola que sempre me orientou mas tenho que confessar, não raras vezes, sinto imensas dificuldades em estimular o apetite pelo saber a alunos que têm por este um desprezo absoluto. As generalizações são abusivas. Neste caso, não se trata de uma generalização abusiva mas de uma verdade inquestionável. Permitam-me um desabafo: os Cursos Profissionais são o maior embuste da actual Política Educativa. Acabar com estes cursos? Não me parece a solução. Alterem-se as regras.


Factos ocorridos na sala de aula:

Primeiro Facto: Dei início à aula não sem antes solicitar aos alunos que se acomodassem nos seus lugares. Todos o fizeram exceptuando o aluno ***********, que fez questão de se sentar em cima da mesa com a intenção manifesta de boicotar a aula e de desafiar a autoridade da professora.

Dei ordem ao aluno para que se sentasse devidamente e este fez questão de que eu o olhasse com atenção para verificar que ele, ***********, já estava efectivamente sentado e ainda que eu não concordasse com a sua forma peculiar de se sentar no contexto de sala de aula, seria assim que ele continuaria: sentado em cima da mesa. Por três vezes insisti para que o aluno se acomodasse correctamente e por três vezes o aluno resistiu a esta ordem.

Reacção da maioria dos elementos da turma: Risada geral.

Reacção do aluno *********: Olhar de agradecimento dirigido aos colegas porque afinal a sua "ousadia" foi reconhecida e aplaudida.

Reacção da professora: sensação de impotência e quebra súbita da auto-estima.

Senti este primeiro momento de desautorização como uma forma que o aluno, instalado na sua arrogância, encontrou de me tentar humilhar para não se sentir humilhado.

Como diria Gandhi, "O que mais me impressiona nos fracos, é que eles precisam de humilhar os outros, para se sentirem fortes..."

Saliento que neste primeiro momento da aula a humilhação não me atingiu a alma embora essa fosse manifestamente a intenção do aluno.

Segundo Facto: Dei ordem de expulsão da sala de aula ao aluno **********, com falta disciplinar. O aluno recusou sair da sala e manteve-se sentado em cima da mesa com uma postura de "herói" que nenhum professor tem o direito de derrubar sob pena de ter que assumir as consequências físicas que a imposição da sua autoridade poderá acarretar.

Nem sempre um professor age ou reage da forma mais correcta quando é confrontado com situações de indisciplina na sala de aula. Deveria eu saber fazê-lo? Talvez! Afinal, a normalização da indisciplina é um facto que ninguém poderá negar. Deveria ter chamado o Director da Escola para expulsar o aluno da sala de aula? Talvez...mas não o fiz. Tenho a certeza de que se tivesse sido essa a minha opção a minha fragilidade ficaria mais exposta e doravante a minha autoridade ficaria arruinada.

Dirigi-me ao aluno e conduzi-o eu própria, pelo braço, até à porta para que abandonasse a sala. O aluno afastou-me com violência e fez questão de se despedir de uma forma tremendamente singular: colocou os seus dedos na boca e em jeito de despedida absolutamente desprezível, atirou-me um beijo que fez questão de me acertar na face com a palma da mão. Dito de uma forma muito simples e SEM VERGONHA: Fui vítima de agressão. Pela primeira vez em aproximadamente vinte anos de serviço.

Intensidade Física da agressão: Média (sem marcas).

Intensidade Psicológica e Moral da agressão: Muito Forte.

Reacção dos alunos: Riso Nervoso.

Reacção do aluno **********: Ódio visível no olhar.

Reacção da professora: Humilhação.

Ainda que eu saiba que a humilhação é fruto da arrogância e que os arrogantes nada mais são do que pessoas com complexos de inferioridade que usam a humilhação para não serem humilhados, o que eu senti no momento da agressão foi uma espécie de visita tão incómoda quanto desesperante. Acreditem: a visita da humilhação não é nada agradável e só quem já a sentiu na alma pode compreender a minha linguagem.

Terceiro Facto: O aluno preparava-se para fugir da sala depois de me ter agredido e, conforme o Regulamento Interno determina, todos os alunos que são expulsos da sala de aula terão que ser conduzidos até ao GAAF, Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família. Para o efeito, chamei, sem êxito, a funcionária do Pavilhão A, que não me conseguiu ouvir por se encontrar no rés-do-chão. Enquanto tal, não larguei o aluno para que ele não fugisse da escola (embora lhe fosse difícil fazê-lo porque os portões da escola estão fechados).

Mais uma vez, o aluno agrediu-me, desta vez, com maior violência, sacudindo-me os braços para se libertar e depois de conseguir o seu objectivo, começou a imitar os movimentos típicos de um pugilista para me intimidar. Esta situação ocorreu já fora da sala de aula, no corredor do último piso do Pavilhão A.

Reacção dos alunos (que entretanto saíram da sala para assistir à cena lamentável de humilhação de uma professora no exercício das suas funções): Risada geral.

Reacção do aluno ********: Entregou-se à funcionária que entretanto se apercebeu da ocorrência.

Reacção da Professora: Revolta e Dor contidas que só o olhar de um aluno mais atento ou mais sensível conseguiria descodificar. Porque, acreditem: dei a aula no tempo que me restou com uma máscara de coragem que só caiu quando a aula terminou e sem que nenhum aluno se apercebesse. Entretanto, a funcionária bateu à porta para me informar que o aluno queria entrar na aula para me pedir desculpa pelo seu comportamento "exemplar".

Diz-se que um pedido de desculpas engrandece as partes: quem o pede e quem o aceita. Não aceitei este pedido por considerar que, fazendo-o, estaria a pactuar com um sistema em que os professores são constantemente diabolizados, desprestigiados e ameaçados na sua integridade física e moral. Em última análise, a liberdade não se aliena. O aluno escolheu o seu comportamento. O aluno deverá assumir as consequências do comportamento que escolheu e deverá responder por ele. É preciso PUNIR quem deve ser punido. E punir em conformidade com a gravidade de cada situação. A situação relatada é muito grave e deverá ser punida severamente. Sou suspeita por estar a propor uma pena severa? Não! Estou simplesmente a pedir que se faça justiça.

Vamos ser sérios. Vamos ser solidários. Vamos lutar por uma Escola Decente.

Ps: Este caso já foi participado na Polícia e seguirá para Tribunal.

Ermesinde, 30 de Março de 2010

A Professora _________________________


Temos todos de acabar com esta palhaçada. Repassem, pode ser que chegue ao nosso adorável e competente primeiro!!!

4 comentários:

mamã da princesa disse...

Realmente ser professor nos dias de hoje não é nada fácil!!!

Se eu podesse corria miúdos como estes ao estalo... que falta de educação...

Há com cada um!

Beijinhos e bom fim de semana

pedradababy disse...

Caramba, estou parva! Hoje em dia, já não se pode ser só professor mas também, psicologo, educador e, claro está... pugilista. Como pode ser?! É uma vergonha, as crianças cada vez têm menos respeito pelos professores e pior... muitas vezes os pais defendem estas atitudes nos filhos. Deus queira que nenhuma das minhas filhas queira ser professora para que eu não tenha medo cada vez que forem trabalhar.

Filipa, obrigada pelo teu comentário no meu cantinho, gostava muito q tivesses vindo comer uma fatia do bolinho da Lu mas com o tempo atabalhoado, acabei por não conseguir organizar os convites :(
E claro que gostaria muito que me viessses visitar, quando quiseres, já tenho saudades vossas.

Espero que esteja bem com voçês.
Beijinho muitoooooooooooo grande

Anónimo disse...

Permita-me a liberdade:

Email dirigido à escola da minha filha no dia 21.04.2010, até hoje sem resposta.

Exmos. Senhores,

na sequência de uma reunião realizada no dia 19.04.2010 com a Directora de Turma, a Professora Sónia Fonseca do 7ºD e respectivos Encarregados de Educação sobre vários assuntos, nomeadamente a disciplina de Educação Visual quer a nível do ambiente das aulas descrito pelos alunos e uma situação abusiva com a Aluna Mariana e na expectativa que o assunto abordado conste em acta, não posso deixar de manifestar o meu profundo desagrado que resulta pela incapacidade demonstrada pela Directora de Turma na denúncia do “colega” conforme mencionou.

Ora, parece-me pertinente que após queixas dos alunos do referido professor de Educação Visual sobre supostos “toques”, comentários sobre as borboletas ou flores nos sotiens que transparecem, anedotas sobre sexo e ainda temas como “vacas e cabras”, conceito que aconselho verdadeiramente à esposa e ou filhas do digníssimo “colega”, sendo que no meu tempo “colega” tinha outro tipo de conotação [ …]. Fiquei INDIGNADA, quando verifico que se lança poeira aos olhos dos outros para nos desculparmos da culpa que cada um tem.

Eu chego quase à alucinação perante este novo fenómeno, sim a alienação, que é a volúpia dos tempos novos a contagiar tudo e todos, que toma o nome de cobardia, cobardia essa que amolece o carácter, a dignidade e a moral de alguns.
Como não pactuo com este género de fenómenos e comportamentos e entendo que é meu dever denunciar, porque todos se calam ou conseguem deixar-se conquistar pela inconsciência, corporativismo e conseguem ver “nas costas dos outros as suas”, deixo ao vosso critério as medidas a tomar ou a corrigir.
Se não as tomarem por sentimento, ao menos devem fazê-lo por inteligência.
De qualquer forma e utilizando a velha máxima da Directora de Turma, espero “que nas costas das alunas […] em causa, não vejam as vossas filhas”.

Como vê Filipa, é complidado...andamo-nos a rir continuamente uns dos outros, na intenção, ao que parece, de nos corrigirmos, e afinal não fazemos outra coisa senão relaxarmo-nos uns aos outros cada vez mais. Isto é uma tendência deplorável.
Mas este riso que relaxa e amolece, acaba por tornar imbecis aqueles mesmos que o empregam contra a imbecilidade alheia.
Quando quem manda perde a vergonha, quem obedece perde o respeito.

Aceite as minhas desculpas, pelo desabafo.

Dulce Ascensão

IMaria disse...

fiquei perplexa com esta sua hitória. Onde chegou este país. Onde andam os nossos filhos. Nem sei mais quue dizer. Uma vergonha. E fez bem não aceitar o pedido de dsculpas. O aluno tem de ser punido.