Assim que me entrou no carro, deu-me a cara para me cumprimentar. Se à coisa que eu detesto é que me estejam a lixar o juízo e a darem-me beijinhos. Tive de ser rude e recusar o beijo (pronto, não é de bom tom, mas eu não aguento). Estive toda a manhã e tarde de má cara, respondendo ás suas perguntas somente com um sim, não e talvez.
De regresso a casa, quis que parasse na farmácia (eu parei e fiquei no carro). Depois, e porque tem andado doente do estomago, queria por força ir a uma pastelaria beber um chá e uma torrada. Parei, e ela lá foi .... danada por eu não a acompanhar.
Depois, tinha de ir comprar bananas .... e eu? .... eu a fervilhar por estar a desempenhar a profissão de taxista melhor que ninguém, somente com uma diferença ... a inexistência de taxímetro (mas o que ela merecia, era que lhe apresentasse uma continha com os kms percorridos, combustivel gasto, portagens, desgaste do carro, e honorários)!!
Deixei-a em casa, com a mobilia que quis trazer (e que eu tive que acartar). Toca o telefone, e eu aproveito a deixa para fugir (antes que a continha, dada a minha disposição ainda aparecesse mesmo), mas ainda consegui ouvir um: "espera aí", que me travou.
Veio-se abraçar a mim a chorar, a pedir desculpa por ter tido uma saída infeliz. Manifestei mais uma vez a minha tristeza, por ter como mãe alguém tão mesquinha, capaz de lhe passar pela cabeça a ausencia de um pagamento de 1,60€!!!!
Na verdade, sinto-me magoada, e o pior de tudo isto, é que estas "observações" fazem com que as recordações se avivem, e me venha à ideia que tinha de lhe pagar 25.000$00 para que me ficasse a tomar conta do André (como se de uma ama se tratasse) e dos inúmeros bilhetes manustritos com as contas (e respectivos bilhetes e talões agrafados, que ainda hoje guardo com "carinho") relativos às despesas da camioneta/metro e pastelaria, despesas essas que efectuava quando se lembrava de ir passear com o neto à baixa, por sua unica e exclusiva iniciativa.
O triste é que sinto que tenho alguém como mãe para quem (sem necessidade) os tostões têm tanta importância.
Sinceramente, se há coisa de que gostava era de poder abraçar a minha mãe, e dar-lhe um abraço e um beijo sentido replecto de uma enorme admiração e orgulho, mas infelizmente, não consigo, e essa é uma das muitas dores que transporto comigo!!!