(Foto retirada)
Olá,
Continuo às voltas com as "malditas" pintarolas, que embora sejam bastantes mais do que as da Rita, não têem provocado muita comichão ao Di. Tenho continuado a fazer a minha vida normalmente, sendo que a única diferença, é que o Di fica dentro do carro, enquanto vou buscar e levar a Rita à escola, não vá ele ser acusado de contagiar algum coleguinha da Rita.
Tenho andado ocupada e com os ouvidos cheios das coisas da minha mãe. Não sei se será da idade dela ou do feitio, mas só vê problemas, e antecipa acontecimentos, vivendo-os intensamente mesmo antes de eles terem acontecido e moendo-me o juízo com telefonemas que demoram horas.
Como tenho dificuldade em "engolir sapos", e em disfarçar o que sinto, dei comigo a ter mais uma conversa desagradável com ela. De uma certa forma sinto-me envergonhada por sentir um afastamento emocional tão grande em relação à minha mãe. Podem não acreditar, mas eu sinto-me tão comprometida com o que sinto (ou não sinto), que não sou capaz de cruzar o meu olhar com o dela ... e isso, é sinal que cá dentro, há muitas coisas para resolver.
Abri o meu coração e disse-lhe o que sentia. Que ao longo dos últimos anos me tenho sentido traída, desrespeitada e ofendida. Há muitas mágoas que guardo da minha mãe, e isso faz com que haja uma barreira entre nós. Ela ficou triste com o que ouviu. Diz-me que é minha mãe, e que tudo o que fez em relação ao André foi por amor, queria fazer dele um homem.
Claro que acredito que não foi por mal, mas eu não esqueço os milhares de vezes que lhe supliquei para não condescender, não dar, não facilitar ... mas ela não me ouviu, não me respeitou ... e deu no que deu.
Pediu-me que a desculpasse, pois mãe há só uma (curiosa esta afirmação) e que provavelmente teria poucos anos de vida.
Podia tranquilizá-la, dizendo-lhe que não falaríamos mais disso, que passaríamos uma esponja sobre o assunto, mas ao fazer isso, estava a enganá-la a ela, mas principalmente a mim. Estou magoada, ferida. Não sei se foi um escudo de protecção, mas sinto-me intocável pelas suas palavras doces, porque lá bem no fundo, sei que hoje as pode dizer, mas que amanhã estará pronta para me apunhalar. Sinto-me usada ... e isso entristece-me.
Alegou que saber perdoar é uma qualidade que não é para todos, pelo que apelava ao meu coração para que, a partir daqui as coisas mudassem.
Gostava muito de ter essa honrosa capacidade de perdão, mas a verdade é que não tenho. Sinto-me talvez desiludida comigo. Era tão bem mais bonito e confortável esquecer as mágoas, esquecer o passado, e viver o presente com a alegria e com o amor, que eu como filha, tinha obrigação de sentir pela minha mãe. Como filha sinto que estou a falhar. A idade torna as pessoas frágeis, e é nessa altura, que mais precisam dos que lhe são queridos, dos afectos e do amor, que eu não me sinto com capacidade para lhe dar.
Continuo disponível, a fazer o que me pede, a condescender na falta de bom senso que constato nos pedidos que me formula ... mas não o faço de coração aberto. Faço-o por vergonha ou talvez mesmo, por falta de coragem de dizer que NÃO ESTOU DISPONÍVEL.
Esta é uma situação que me está a ser muito dificil gerir e que me faz lembrar da importância de ser ter uma família estruturada e disponível para se entreajudar. Eu sou há uns anos a filha única ... com todos os inconvenientes que daí advêm. Terei de ter calma e gerir a situação com muita paciência e tolerância, o que não vai ser fácil.
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O André está a viver na casa dos pais da namorada.
Na sexta feira foi com a namorada almoçar ao restaurante dos meus sogros, e teve o displante de relatar aos avós que está aborrecido com a avó, por esta não lhe ter dado o dinheiro, quer para a viagem de ida, quer para o regresso, referindo-se a ela como a "Gaja" denotando algo que não é novidade ... uma enorme falta de respeito e educação!!!
Infelizmente, os meus sogros, à educação também não devem muito, pois quanto a mim, (e pese embora não gostem da minha mãe) deveriam tê-lo chamado a atenção, não lhe permitindo que se referisse à avó naqueles termos ... creio que é uma questão de respeito, mas não foi isso que fizeram.
Foi pena eu não ter estado presente (mas de certo que ele não se atrevia a proferir os insultos que proferiu) mas limitar-me-ia a perguntar aos meus sogros, se no ver do André a avó que lhe tem dado tudo e aparado todos os seus golpes é "Gaja" que nome pomposo terão eles, que nunca fizeram nada por ele???
Eu juro-vos que perante estas coisas ... às vezes só me apetece fugir. Acho que as coisas chegam ao cumulo da falta de respeito e de consideração, e eu já me começa a faltar a paciência para estes diálogos da treta (para não chamar outra coisa mais feia)!!!
Sinto-me entregue à bicharada!!!
Beijos
PS - Desculpem a ausência nos Vossos cantinhos. Aos poucos actualizarei as visitas.