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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Assim Estamos

Olá,

Peço desculpa pela minha ausência, mas a verdade é que não me tem apetecido escrever.

Tenho estado bem, e para ser franca, sem estar excessivamente preocupada. Estou confiante na capacidade de improvisação e na "escola da vida" do André, que com facilidade arranjará ou arranjou, uma solução para o seu problema. Curiosamente, enquanto escrevia esta frase, senti-me pouco confiante, pois esta história suscita-me muitas interrogações, mas como a verdade vem sempre ao cimo, mais tarde ou mais cedo, acabarei por saber o que realmente se terá passado!!

Já que ele mente e fabula tanto, enganando a família para lhe extorquir dinheiro, então que utilize as suas "capacidades" para resolver um problema que ele próprio criou. Já estou por tudo.

Tenho tido a minha mãe horas a fio ao telefone, relatando-me todo o seu dia, das amigas, das vizinhas, chorando-se com o facto de ter a casa para alugar ... enfim, enche-me a cabeça com os seus problemas, repetindo-se vezes sem conta, para meu desespero.

Quer à viva força transferir-me a responsabilidade de tomar "conta" da gestão do apartamento, alegando que ele é meu .... esquecendo-se no entanto, que quem usufrui do seu rendimento é ela (creio que já vos expliquei a situação).

Quer a todo o custo que eu me desloque lá com ela, para tratar de alguns assuntos que obrigam a outra viagem passado uns dias, mas não se lembra que todas estas voltas, implicam despesas que eu não estou na disposição de suportar!!! Já que vergonhosamente se "apropriou" do apartamento e dele tira rendimento, então que suporte as despesas inerentes.

Esta história deste apartamento ... já me tira do sério.

Entretanto, veio como que "ameaçar-me" que venderia a casa dela, afim de poder ficar com dinheiro para ingressar no Lar dos Inválidos do Comércio, já que se recusa a ir para os quartos mais modestos, pois não está para ouvir o ressonar e afins dos outros. Assim, com o dinheiro da venda coloca-la-iam num mini-apartamento onde teria mais privacidade.

Se compreendo? Compreendo ... eu também não gostaria de privar forçosamente, e no fim dos meus dias, com pessoas que não conheço e que se calhar não teria grande vontade de conhecer, mas a forma como a minha mãe coloca a situação é que me indigna. Para sua surpresa dei-lhe toda a força para que vendesse (sim, que eu também sou tramada). Ficou surpresa com a minha reacção, e lá acabou por me dizer, que bom mesmo, era ficar em casa, e arranjar alguém que lhe fizesse as coisas, só precisava que lhe assegurassem as limpezas, e a comida.

Falei-lhe dos serviços do Centro Social e Paroquial que assegura no mínino, a alimentação. Disse-me peremptoriamente que não, pois segundo as "amigas do café", as funcionárias deixam o comer na casa das pessoas, já frio, e nem sequer se dignam a fazer o favor de aquecer no micro ondas.

Passei-me e respondi-lhe que se ela me pagar ... eu faço. Então e quanto queres ganhar? perguntou-me!! Socorro!!

Tenho obrigatoriamente que ganhar para poder ter alguém que me substitua no levar e recolher os meus filhos da escola (já que os horários aqui são complicados) principalmente se cada um estiver numa escola diferente, mais as despesas do transporte (mas nem sequer ainda sei se estava de facto na disposição de desacompanhar os meus filhos!!!)...
Pois ... mas isso ainda é muito dinheiro!!!

Jura? Pois ... mas por as despesas serem grandes, é que eu estou em casa há mais de 6 anos!!!

Enfim, ela não quer estar "velhota" ... e embora eu compreenda que não é de facto agradável, nada poderei fazer!!!

Agora adere a todas as promoções que lhe são comunicadas por SMS, depois retiram-lhe o pagamento da promoção do saldo do telefone, e depois grita para que a ajude a resolver a situação ... pois não tem interesse na promoção!!!

E sim ... eu sou (já há uns anos) filha única!!! E o que mais me irrita, é que tudo isto devia gerido por mim, com muita vontade de ajudar, com muito amor e carinho ... mas não ... tudo me custa fazer, pois infelizmente, tenho muitas facadas nas costas dadas por ela, e isso, torna um suplicio qualquer ajuda que tenha que lhe prestar, por mais simples que ela seja.

É triste ... mas a verdade é esta.
Entretanto hoje o Di apareceu com umas borbulhas que já me são familiares e estão bem vivas na minha memória ... o Di está hoje no seu primeiro dia de .... VARICELA!!!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Estou FARTA


O telefone toca ... é a minha mãe.

Comunica-me que o André lhe ligara ontem e hoje, pedindo-lhe que realiza-se ela a chamada para o telélé do amigo, pois era urgente (o costume).

Ela lá ligou. Então o André mais uma vez, queria que ela lhe desse agora 100,00€. Alegou que os amigos regressam hoje a Portugal (???) e que sem dinheiro ele não pode regressar ficando lá sozinho!!!

A avó disse que não dava, que estava farta de lhe dizer que não lhe pedisse mais dinheiro, que fizesse de conta que ela tinha morrido (coisas à minha mãe) e que estava farta das coisas dele, e que ele estava por conta própria, e blá, blá, blá!!!

Eu ouvi isto e colocou-se-me a seguinte interrogação:

Então se eles foram de carro, e ele já tinha ido sem dinheiro, porque é que não pode voltar nas mesmas condições? Não estou a querer dizer que tenham que ser os amigos a suportar as despesas dele (se bem que é isso que tem acontecido) mas se os outros vêm no carro, porque é que o facto de ele não ter dinheiro o colocaria sozinho em França enquanto os outros regressam?

Estranho!!!

Se eles tivessem ido de camioneta, compreendo que a esta altura já não tivessem dinheiro suficiente para comprar os 4 bilhetes, mas se os outros vêm no carro, porque é que ele não pode vir também? Mais uma vez, o outro (o "amigo" e dono do carro) veio ao telefone tentar convencer a minha mãe, mas esta, alegou que o responsável moral por ele ficar em França, é dele (do amigo) já que aceitou levá-lo sabendo que ele ia sem dinheiro!!!

A minha mãe pede assim ao André para não lhe ligar, dizendo-lhe que não quer saber, pois já o tem mandado para o raio que o parta, mas nunca o mandou para França (lol) e por isso, ele que fique no meio do monte .... e eis que ele, danado com o irredutibilidade da avó, e em desepero de causa diz-lhe gritando que "não posso cá ficar, já não cago há 4 dias"!!!

Opá, isto já não é uma novela mexicana, mas sim uma comédia!!! Confesso que não sei se é de nervos, mas hoje só me dá para rir!!!

Entretanto a minha mãe interroga-se porque é que ele não liga para mim a fazer estes pedidos. Ele já sabe que dinheiro eu não dou. Mas afinal enganámo-nos, ele à pouco mandou SMS a dizer para lhe ligar, pois levou a "banhada" em França e vai ficar sozinho!!!

O que é que eu fiz? Desliguei o telemóvel (shame on me) mas sinceramente não tenho pachorra para estas histórias. Isto já enjoa, e antes que lhe diga para apanhar boleia do Armando (um bocadinho a pé, um bocadinho andando) optei por desligar o telemóvel, antes que ao ouvi-lo contar-me a história da carochinha me ponha a caminho com os putos e o vá buscar pelos cabelos!!!!

Ai, sinto-me como se tivesse entrado num qualquer manicómio, mas sem descobrir em que ala, me internaram!!! É que a brincar a brincar, eu já digo o que não quero, não digo o que quero, e já ando a por o acucareiro no frigorifico!!!!
O que é que eu faço a este gajo?

PS - Anocas, o G é que tinha razão. As saudades de sábado eram o capítulo 1. O capítulo 2 era pedir dinheiro, e mais uma vez ele acertou!

sábado, 18 de abril de 2009

Telefonema dele

Acabei de receber um toque vindo do telemóvel do André.

Liguei-lhe e logo ouvi:
- Mãe eu não estou nada bem!!
- Como não, se a tua namorada me disse que tinhas chegado bem e estavas bem instalado?
- Foi só para não te preocupar!!!

Resumindo:

Diz que está numa vila, mas a dormir no meio dos montes dentro de uma "roullote" com os 3 amigos, onde não há luz nem água, e para tomarem banho têm de ir a um barracão exterior. A comida não presta, e é tudo muito caro. Deu o exemplo que os amigos querem ir hoje ao "karaoke" e se ele for, como é tudo muito caro acaba por gastar o dinheiro que ganhou hoje. Alertou-me ainda que ainda não viu o patrão nem assinou qualquer contrato de trabalho, e que segundo consta, já não é a primeira vez que o patrão recebe o dinheiro da obra e foge, não pagando aos trabalhadores.(não resisti a dizer-lhe: eu não te disse?)

Como não levou dinheiro, está a ficar com dívidas para com os amigos, e que se quer vir embora!!!

Diz ter muitas saudades das pessoas que cá ficaram, e chegou ao ponto de me dizer que até tem saudades do pai (o que é muito, muito estranho)!!
Não me pediu dinheiro para passagens, nem disse que queria vir já, mas diz aguardar pelo dia 05/05 (dia em que prometeram que lhes pagavam as despesas da viagem e os dias de trabalho) para regressar a Portugal.

Tentei acalmá-lo dizendo que embora eu nunca tivesse emigrado, presumia que os primeiros dias fossem talvez os mais dificieis, aconselhando-o a entender isto como uma experiencia, da qual mal ou bem, tiramos sempre alguns ensinamentos. Não está na rua e embora não goste do comer, tem como se alimentar, por isso, há que manter a calma e ver o que lhe reservam os próximos dias.

Fiquei de tentar ligar-lhe mais tarde, pois entretanto, fiquei sem dinheiro no telemóvel!!!

Mas só aqui para nós, parece-me que meio dos montes, não soa bem como karaoke, nem "ninguém está contente com isto", mas hoje querem ir para o karaoke. Se calhar sou eu que já estou cota e não entendo a juventude!!!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Notícias Nossas

Nem sei o que dizer!! Agradeço-Vos do fundo do coração todo o Vosso carinho e compreensão. Muito, muito Obrigado por estarem presentes e disponíveis para me deixarem uma palavra de carinho e amizade.!!!

Quero que todos aqueles leitores, muitos deles que até são assiduos mas silenciosos saibam, que são bem vindos a este Blog, e que de forma alguma me sinto incomodada com os Vossos comentários. Sintam-se á vontade para intervir sempre que assim o entendam.

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A bem da verdade hoje sinto-me mais animada. O André já está em França, está bem instalado, e até agora, tudo está a correr como seria de desejar. Tive acesso a estas informações através da namorada, que fará o favor de me ir colocando a par dos desenvolvimentos.

Espero assim, que tudo lhe corra bem, e que aproveite a oportunidade para ver a vida com outros olhos, e agarrar com determinação as oportunidades que lhe forem surgindo.

Entretanto, tenho a minha mãe em pranto, por o neto, que a andou a pressionar para que lhe desse 150,00€ para ir de viagem, a ter insultado publicamente (no café) quando constatou que ela não lhe daria o dinheiro, e ter ido de viagem sem se despedir.

Pergunta-me, porque é que ficou chateado com ela, por ela não lhe ter dado o dinheiro e não ficou comigo, tendo-me pedido que me fosse despedir dele?? será normal esta comparação? Creio que não, mas é com estas perguntas que me mentalizo que a minha mãe, nunca aceitou que o seu papel é (ou devia ter sido) de avó e não de mãe.

Compreendo que se sinta ferida. Tem razão para o sentir. Não posso deixar de lamentar esta atitude do meu filho. Grande parte do que a minha mãe tem feito, a meu ver tem feito mal, mas a bem da verdade, pelo menos na prática, tem-o enchido de tudo, pago todas as despesas, aventuras, equipamentos e estadias. Tem-lhe dado guarida nos momentos mais dificieis da sua vida e gasto com ele verdadeiras fortunas. Não merecia esta indiferença.

Compreendo que o André se senti-se chateado, afinal está habituado a que a avó lhe dê todo o dinheiro que precisa ... mas uma despedida (mesmo manifestando o seu descontentamento) era o mínimo que deveria ter feito!!!

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Entretanto o meu pulso já está melhor. Já consigo fazer parte dos movimentos sem dor, contudo pegar em algo mais pesado está ainda fora de questão.

A Rita já tem as borbulhas secas, pelo que na próxima segunda feira já irá à escolinha. Hoje tinha um passeio à Tapada de Mafra, mas há uns dias enviei e-mail à professora dizendo-lhe que seria melhor a Rita não participar, já que tem medo dos animais, pelo que a sua presença iria implicar que andassem com ela ao colo (como aconteceu no Jardim Zoologico) o que convínhamos, é um desgaste adicional para a professora e/ou auxiliar. A professora foi incansável e manifestou vontade que a Rita participasse, mesmo correndo o risco de andar com ela ao colo (e ontem ainda me telefonou para me tentar convencer a deixá-la ir). Contudo, como já está em casa há vários dias, não a quis expor de repente, ao frio, chuva e vento que por aqui se fazem sentir, pelo que não foi!!

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Recadinhos

Anocas - O nº de telefone é o mesmo. Espero que logo tenhamos possibilidade de falarmos um pouco.
Lisoca - Nem tenho palavras. Adorei. Agradeço-te de coração.
Elisabete - Muito Obrigado pelo teu SMS, nunca falhas!!!
Lili - Obrigado Amiga pelas tuas palavrinhas. Estou muito Feliz por ti!!!
Drica - Recebi o teu sms. Muito Obrigado. Espero que já estejas melhor, sua Gulosa!!!
Angelina - Muito Obrigado pela sua já longa e assídua presença, sempre com uma palavra de carinho.Posso enviar e-mail com a informação da localização?

PS - Tenho andado um pouco ausente dos Vossos cantinhos, mas espero hoje, conseguir visitar-vos a todas(os).

Beijos


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Resposta

Creio que já algumas vezes Vos disse que criei este Blog afim de exteriorizar o que me vai na alma. Escrevo o que sinto no momento, com toda a verdade e sinceridade, sem contudo achar que tenha propriamente que me justificar. Não tenho, e só o faço, quando vejo que as questões que me são colocadas, o são por alguém que segue o Blog e as coloca com correcção e educação. Por isso, hoje, e embora sem vontade alguma de escrever, venho com este post tentar dar resposta, não á minha vizinha anónima (para bom entendedor meia palavra basta) mas sim, à anónima que me coloca algumas questões.

1ª Pergunta

Como permitiram que alguem boicotasse o vosso papel de pais?

Aqui está uma pergunta bastante pertinente. Acredite que ainda hoje (e sabendo o que sei hoje) essa interrogação ainda se me coloca. Eu tinha 16 anos o pai do André 19, ambos estávamos dependentes economicamente dos nossos pais, sem que da parte deles houvesse alguma intenção de nos ajudarem. Como construir uma família, com a estabilidade que ela deve ter, sem dinheiro, sem apoio familiar, sem casa ou rendimentos? Optámos por ficar em casa dos nossos pais, tentando ganhar alguma maturidade e munirmo-nos do necessário para podermos iniciar a nossa vida em comum. Naturalmente que ao fazê-lo, nunca pensámos que os nossos pais, especialmente a minha mãe, quisesse boicotar o meu papel de mãe. Para ela foi fácil. Eu trabalhava e estudava, para poder garantir ao meu filho, tudo o que ele necessitava. Ela tomava conta dele, como muitas avós o fazem, contudo exigia-me o pagamento de uma prestação de 25.000$00 para o fazer. Acredite que é verdade!!! Estou convicta que de uma forma ou de outra eu seria sempre acusada, pois se optasse por estar mais presente, não estudando, provavelmente seria acusada de ter faltado a todos os bens que nós hoje como pais, gostamos de proporcionar aos nossos filhos. Não são bens essenciais, mas é assim que presentemente os classificamos. Concerteza que o André teria ficado com traumas, ao perceber que não poderia ter o que os amigos tinham. Tive de tomar uma opção. Investi na minha formação, para lhe poder garantir aquilo a que teria a meu ver direito.
Teve também carinho e amor, provavelmente em excesso e talvez seja também por isso que tem usado e abusado do amor, tolerância e dedicação da família.

Se errámos por permitir que esse boicote acontecesse? Sim. Esse foi talvez o nosso maior erro. Mas infelizmente, na altura, não conseguimos prever que com essa opção poderíamos desencadear toda esta problemática. Mas será que foi isso? Não tenho certezas. Penso que muitos de nós também tem problemas, traumas, situações complicadas, mas não são elas que fazem de nós pessoas de má índole, e ainda bem que assim é.

Será que não ter os pais tão presentes quanto seria de desejar dá origem a um jovem problemático, cleptomaníaco e mentiroso compulsivo? É bom que assim não seja, pois se for, este mundo está perdido!!


2ª Questão

… a determinada altura desiste de lutar por fazer dele um homem pk? Então mas um filho deixa a determinada altura de valer a pena?

Um filho nunca deixa de valer a pena. Mas infelizmente, por vezes, temos que lhes mostrar que desistimos, como prova do nosso amor. É complicado de entender? Acredito que sim.
Tentámos de tudo. Posso com orgulho dizer que como mãe (e desculpe a pouca modéstia) fiz de tudo para ajudar o meu filho. Não me vou repetir, muitas coisas estão transcritas neste blog. Acredito, não só porque o sinto de forma consciente, mas também, porque me foi dito por professores, psicólogos, pedopsiquiatras, juízes, amigos, conhecidos e vizinhos.

Quando temos um filho que não quer estudar o que fazemos?
Tentar descobrir o porquê. Como? Com muito dialogo, com muitas reuniões com os directores de turma e docentes, com idas ao psicólogo, com muitas noites e dias sentada a dar-lhe explicações. Ele sabia a matéria toda de cor, mas não queria ir à escola. Alvitrei frequentar a escola com ele, como se uma colega de turma eu fosse. Recusaram. Todos os meus esforços foram em vão. Ele não queria estudar, não gostava da escola, passava semanas sem lá ir.
Queria andar na casa dos amigos a fazer sabe-se lá o quê, a jogar à bola, a passear-se pela localidade. Não queria, não ia, e não havia ninguém que o obrigasse.
Retirei-o da escola publica, coloquei-o na escola privada, pensando que talvez fosse diferente. Quase que me endividei para pagar a mensalidade. Nada mudou.
Quem pensa que uma criança de 6 anos que vai à carteira da avó durante a noite roubar 500$00, se torna num cleptomaníaco? Pensamos que foi uma atitude impensada. Mas não. Foi repreendido com muito diálogo para que percebesse que essa atitude era condenável. Continuou. Intimidamo-lo com a ida a uma esquadra. Não resultou.

Todos os anos era inscrito na escola mas em vez da frequentar, ia apenas para roubar os colegas, danificar as instalações escolares e partir o carro às professoras. O que é que acontecia? Tínhamos de pagar,. Ou seja, havia dias, em que o nosso dia de trabalho não era suficiente para a despesa que ele tinha feito.
E então que se faz agora? Quando todos aqueles que nos poderiam ajudar se mostram impotentes para o fazer, pois nunca tinham apanhado um miúdo assim!!!
Foram dezenas de reuniões e centenas de horas de dialogo.
A permanência na escola acabou, e eu desisti, quando alguém responsável na escola, após eu ter feito andado dias a fio a fazer-lhe os resumos e as respostas e perguntas que teria de enfrentar no exame (que ele não fiz pelos motivos que já expus neste Blog) me disse: Mas você ainda anda nisso?. Desista, ele não quer!!

E se um filho diz que não quer estudar, o que fazemos para além de todas estas “dermaches”?

Pois então tentamos que aprenda um oficio, já que o 5º ano completo não permitia o recurso a um curso técnico-profissional.

Aí, deparamos-nos com uma serie de patrões, trabalhos, mentiras, investimentos para que fosse trabalhar (passe, fardamentos, dinheiro para alimentação) e ele ia um dia, faltava três, era despedido, recebia o dinheiro dos dias que tinha trabalhado e desaparecia por uns dias. Quando o dinheiro acabava, regressava a casa da avó implorando que lhe desse guarida. Deixava acalmar a nossa revolta, pedia desculpa, voltava a procurar trabalho e um novo processo começava …
Não me posso esquecer que entretanto os nossos cartões multibanco eram furtados, gastava o dinheiro que podia, até darmos conta da falta do cartão isto quer em minha casa, quer na casa da avó.

Agora pergunto eu: O que fazemos quando um filho não quer estudar, não quer trabalhar, quer roubar, não quer ter regras, não quer dar satisfações a ninguém, não quer ter horários e não quer tomar a medicação que o ajudaria? Que se faz a um filho que não quer ser ajudado? Aqui deixo a interrogação.

As mágoas ficam, a desconfiança instala-se, os problemas acumulam-se e os roubos são diários, e eu já tinha uma criança pequena que não podia estar a assistir a discussões e gritaria que toda esta problemática envolve.

Pedi ajuda à Protecção de Menores. Não conseguiram. Pedi ajuda ao Tribunal de menores. Institucionalizaram-no e sabe porquê? Para que ele finalmente que o nosso amor de pais tem limites … tem, quando está em causa a sobrevivência da família.

Coloco outra questão. Que fazem os pais de um toxicodependente? Tentam ajudá-lo. Mas quando ele não quer ser ajudado, serão bons pais ao sustentarem-lhe diariamente o vicio?
Deverão os pais trabalhar de sol a sol, para permitirem aos filhos, que conscientemente afirmam que não gostam e não querem trabalhar, estar o dia a dormir a jogar à playstation aguardando a chegada dos amigos para uma longa noitada com todos os gastos associados? Então? Andamos a trabalhar para que brinquem com o nosso esforço?

Acabei por constatar que a institucionalização foi prejudicial, já que o fez contactar com o mundo da criminalidade e não alterou o seu comportamento.
Decidi vender a minha casa em 2006, afim de vir morar para um meio rural para o afastar do meio a que se tinha habituado, e para que tivesse oportunidade de conseguir trabalho. Teve várias oportunidades (ele tem tido sorte nesse sentido) mas mais uma vez confirmei que não queria trabalhar.

Claro que podia colocar a hipótese de esquecer que é necessário trabalhar-se, fazer de conta que ele é um incapaz, e mentalizar-me que teria que o sustentar a ele e aos vícios por toda a vida. Se calhar isso faria de mim uma mãe mártir. Provavelmente seria elogiada por todos quantos me lêem. Mas o amor que tenho ao meu filho, faz-me dar-lhe um “pontapé” no rabo, para que perceba que nesta vida, nesta sociedade há o minino que temos que conseguir … sobreviver.

Ele sabe que estou aqui, sempre disponível para o acolher, quando a vida lhe seja madrasta, mas estou de portas fechadas para o sustentar e para o “ajudar” enquanto ele não tiver uma vontade séria de trabalhar e se fazer um homem.

Porque frases como:

Eu não trabalho para ganhar o ordenado minino nacional;
Eu recuso-me a dormir num contentor;
Preferir andar a vaguear pelas ruas desde as 7:00 da manhã, andar todo o dia sem comer, em vez de ir para ao pé dos avós (paternos) onde lhe seria dada alimentação, para se escusar a ter de os ajudar no restaurante;
Aparecer com bens que não consegue justificar de onde provêem …fazem-me pensar que ainda não chegou a hora.

Para mim, esta “não ajuda” é um gesto de amor … pode ser complicado de ser aceite por quem me lê, mas é assim que sinto, e quero que saibam que a opinião dos psicólogos que o acompanharam vai nesse sentido!!!

Eu desisti de lutar no verão de 2008. Agora limito-me a assistir, aconselhá-lo, e a deixá-lo voar!!!


3ª Questão

… mas axo muito mais que insensibilidade da parte do seu marido o comentário que teve á partida do filho... Desculpe mas vou partilhar a sensação com que estou neste momento....o Pai do André não o pode ser nos 1ºs anos de vida dele não é? Talvez não sinta o apego que sente pelos outros 2 filhos que tiveram a felicidade de nascer e crescer com o pai e a mãe presentes e juntos …

Bom, aqui está de facto um tema delicado, que me coloca grandes constrangimentos. Já me perguntaram por diversas vezes se o André é filho biológico do meu marido. Sim é. Esteve privado do contacto com o filho durante os primeiros anos de vida do André. Contou com a ajuda da minha mãe fazendo a cabeça ao filho, para que nunca fosse possível um bom relacionamento.

Durante todos estes anos o meu marido tentou aliviar a relação, mas o facto de não estar muito presente (pq o horário de trabalho é muito sobrecarregado), a voz maléfica da minha mãe, e os sucessivos maus comportamentos e desrespeito do André frustraram essas tentativas. Se houve culpa do meu marido? Sim! Talvez devesse ter-se esforçado mais. Creio que ele nunca investiu o suficiente. Desistiu cedo, rendeu-se!!!

Hoje, diz com um à vontade que me dói … que não sente nada pelo filho, e demonstra isso nos seus comentários. Não sei se sente tão pouco como afirma (esta noite também ele não conseguiu dormir), mas não sente o que eu sinto, nem o que sente pelos outros filhos. É esquisito, é estranho. Uma vezes parece que o entendo, quando oiço os seus fortes argumentos, mas acabo sempre por sentir que falhou, falhámos!!!

4ª Questão

Estranho nunca mostrou uma foto do André com o pai?

É verdade. Há pouco tempo é que me dedico à fotografia. É certo que há fotografias do André com o pai. São fotos que se tiram mas que não se sentem … são fotos de circunstância, pelo que não as considerando verdadeiras optei por nunca as publicar!!!

Talvez num destes dias!!!

À Anónima:

Acredite que respondi/justifiquei, porque creio que se limitou a afirmar o que sentia, sem qualquer intenção de me “julgar”, embora perceba que tendo um blog e ainda mais publico me coloco “a jeito”, mas estou preparada para isso.
Sinta-se à vontade para opinar. A troca de opiniões e experiências é sempre uma mais valia!!!

Peço desculpa pelo texto, hoje não estou de facto muito dada à escrita, mas não quis que pensasse que não estava disponível para responder às questões que me colocou!!!

Um abraço de mãe …

Filipa

Ele já foi ... para França

Sinceramente estou sem cabeça para escrever, mas sinto-me na obrigação de vos dar a conhecer que de facto, o André foi para França.


Na 3ª feira á noite desliguei o telefone, para que não fosse acordada de madrugada com mais uns SMS do André.
Ontem a meio da manhã o telefone cá de casa tocou. Era a minha mãe dizendo-me que tinha recebido a box da TV Cabo e que o técnico não lhe tinha explicado como funcionava e blá, blá, blá. tentei explicar-lhe pelo telefone, como fazer, mas ela estava muito baralhada.

Ok, decidi percorrer 60 km e ir lá, dar-lhe as instruções básicas para conseguir funcionar com o equipamento.


Ao sair de casa ligo o telemóvel e recebo 2 mensagens do André, enviadas na véspera, pouco depois de eu ter desligado o telemóvel. Dizia-me que ia para França, e pedia-me para me ir despedir dele. Telefonei-lhe dizendo que estava prestes a pôr-me a caminho para ir a casa da avó, e que então, me encontria com ele. Ele confirmou que ainda havia tempo, pelo que sempre consegui fazer a viagem com alguma tranquilidade. Abençoada hora em que liguei o telemóvel.


Não me perdoaria ter acesso à mensagem após a sua partida.


Estive com ele, tirámos umas fotos, falámos um pouco.
Ele não tinha vontade de ir. Também ele (agora) acha o vencimento proposto estranho, mas ao mesmo tempo, diz que o que o faz acreditar, é o facto do salário minimo nacional em França ser de 1500,00€.
Disse-me que lhe asseguravam estadia, mas que esperava não ser em nenhum contentor, pois não se submete a isso (estas afirmações preocupam-me, pois continua de nariz empinado).

Vai com mais 3 amigos, pelo que se manifesta preocupado com a possibilidade de algum(não ele, claro) ser despedido, e ficar assim, de um momento para o outro, sem ter estadia e dinheiro, tendo de aguardar 1 mês, para que os restantes tenham dinheiro para lhe emprestar.
Diz que o que o fez aceitar o convite, foi o facto de no final deste mês, e em virtude de não ter o dinheiro para garantir mais um pagamento de uma mensalidade na casa da namorada, ter de ir viver para a rua (isto da-me cá umas voltas ao estômago. Continuo a não perceber como é que é possível as coisas chegarem a este ponto).


Comentou que os amigos iam carregados de roupa. Ele levava um casaco e todos os seus bens essenciais num mísero saco de plástico :((((
Não levava dinheiro. Levava apenas uma máquina fotografica (outra) para vender.

Creio que em breve terei notícias. Não acredito que ele consiga. Não acredito nas condições prometidas, e muito menos, na sua vontade de trabalhar. Estou a contar que dentro de dias receberei um qualquer contacto, para me informar que está mal, que tem fome, que tem frio e não tem dinheiro para regressar. O que farei nessa altura?? Não sei.

É estranho, mas sinto-me preocupada. Estou agora convencida que mesmo fora de casa mas espacialmente perto, me dava a mim, outra segurança. Sabia que se ele precisasse de mim, em 30 minutos estaria lá para o socorrer ... agora não!! Agora temos muitos kilometros que nos separam, muitas horas de viagem, e se algo acontece, vai ser complicado prestar-lhe auxílio!!


Esta noite, foi passada em claro, às voltas na cama, preocupada com a viagem, imaginando 4 jovens irresponsáveis dentro de um carro a caminho de França!!! Está exposto a muitos riscos a começar pela responsabilidade de conduzir do colega, e a acabar nas reais condições que lá irá encontrar.


Naturalmente informei o meu marido da partida do filho. Também ele acha que é mais uma aventura em que o André se meteu, e que em breve estará em apuros. Demonstrei a minha preocupação, mas respondeu-me: Ele foi ... e agora? Querias ter ido para Vilar Formoso acenar com um lencinho branco?!!!! :((((


Pareceu-me insensível, aliás como quase sempre é, quando o tema é o filho mais velho, mas a verdade, é que também ele, andou às voltas na cama sem pregar olho!!!


Espero sinceramente que tudo corra bem, a começar pela viagem e a acabar por tudo o resto. Era bom que esta saída do País o fizesse encarar a vida de outra forma. Era bom por ele e também por nós!!! Boa sorte é o que lhe desejo!!!!


Sinto-me péssima, com o coração apertado, até porque, como ele foi sem dinheiro, e sem assegurar as condições minimas (não pediu roamming), não tenho como o contactar, afim de me assegurar se está bem, se já chegou, estando assim totalmente dependente do seu contacto.


(Fotos retiradas)

Beijos

Download Gratuito do Livro de Margarida Rebelo Pinto

O objectivo de oferecer o download gratuito dos meus livros através da internet é um desejo pessoal e antigo. Um dos meus objectivos enquanto escritora sempre foi o de poder chegar ao maior número possível de leitores, ultrapassando barreiras e fronteiras, para que todos, sem excepção, possam usufruir desse enorme prazer que só a leitura proporciona.

A internet não é inimiga da literatura. Ao contrário, as duas podem ser grandes aliadas, no sentido de ajudar a fazer chegar àqueles que, por uma razão ou outra, não têm acesso ao livro impresso, sob a sua forma clássica.

Ler é um prazer único e a literatura é eterna.

Espero que leitores de todo o mundo, fluentes ou aprendizes da língua portuguesa, possam descobrir o retrato de um Portugal cosmopolita e contemporâneo que é retratado em Sei Lá. Acredito que para aqueles que vivem longe, mas nunca perderam a alma lusa, este livro possa ser uma óptima companhia e uma forma de se sentirem mais perto do seu país.

Afinal, a nossa pátria é a nossa língua.

Um abraço a todos
Margarida
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PS - Assim se quiserem ter acesso ao livro SEI LÁ da Margarida Rebelo Pinto, é só aceder ao Blog e fazer o download no canto superior direito!!!