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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O que se Passou

Não posso começar este post sem deixar de Vos agradecer todas as mensagens de apoio que me têm deixado. O meu Muito Obrigado!! Acreditem que é importante saber-vos desse lado sempre disponíveis para me deixarem uma palavrinha de carinho.

Vou tentar sintetizar (embora como saibam tenho alguma dificuldade em fazê-lo) o que se passou.

Ontem quando recebi a SMS do meu filho … liguei-lhe para o telemóvel. Mostrou-se saudoso, arrependido, inconformado com as consequências da vida que escolheu, e disposto a mudar de vida, no entanto, não seguia fazê-lo sozinho.

Aparentemente estas deviam ser as palavras mágicas, aquelas em que eu acreditaria, e que fariam com que eu estivesse de pedra e cal ao lado dele, para o ajudar.

Infelizmente, diz-me o passado que estas palavras com grande probabilidade estarão, como tantas outras vezes estiveram, vazias de conteúdo!!! Este era o meu lado racional …. a pensar.

Contrariamente, o meu lado emocional dizia-me que com estas palavras só me restava uma alternativa, era não colocar mais questões e “correr” até ele, para o ajudar.

O marido e o Di já dormiam, mas contava ainda com a companhia da Rita. Comecei a ver que teria alguma dificuldade em deslocar-me até ele, e para mim, não restavam dúvidas que não ia sujeitar a Rita a sair à rua aquela hora, para com grande probabilidade adormecer na cadeirinha no carro, ou pior, ficar esperta a presenciar os meus diálogos com o irmão.

O meu marido acabou por acordar. Disse-lhe que falara com o André ao telemóvel, e que ele precisava da nossa ajuda. O pai tentou que lhe explicasse mais pormenores, mas também eu não os conhecia.

Não concordou com o facto de eu ir ao encontro do filho aquela hora, poderia ser perigoso. Disse-lhe que compreenderia todas as suas razões, que aquilo que eu estava a propor-me fazer, não seria de facto muito racional, mas como mãe, não podia deixar de o fazer.

Fui. Encontrei-me com o André e ouvi histórias de arrepiar. O meu filho mais uma vez zangou-se com a minha mãe (não quis pedir grandes explicações) e veio para a rua.
Está por isso a dormir dentro de um carro de um amigo. Surpreendidos? Eu não!!! Já não é a primeira vez que isto acontece, e por isso, o meu sentimento não é de surpresa, mas sim de choque.

Gostava de Vos conseguir transmitir o que se sente numa altura destas …. é revoltante e dói tanto que me dá a sensação que a certa altura já não oiço o que me diz … apenas visualizo flashs dele em bebe, dele ao meu colo, dele a dormir …. Vejo apenas e só, o meu bebé … que agora me diz que dorme dentro de um carro, sentado no banco da frente ligeiramente reclinado porque o carro está a cair de podre, pois nem sequer pode abrir uma nesga do vidro para poder entrar ar.

Apetece-me deixar-me levar pelo desespero e gritar o mais que possa: Mas porquê? Porque é que isto me está, nos está a acontecer???

Relatou-me que está a trabalhar num Call Center desde o dia 25 de Agosto (??) mas que se torna difícil estar a trabalhar, sem ter que comer, com noites mais dormidas.
Perguntei onde tomava banho … respondeu-me que já não tomava há alguns dias.

Disse-me que tinha um amigo de Loures (que trabalha no mesmo sitio, mas já com um cargo superior) que tem feito a gentileza de lhe comprar 2 hamburguers para ele comer. À noite é um funcionário do café do padrinho do André, que traz os salgados que sobraram e lhos dá para ele comer (mas ontem, o André poisou o embrulho em cima de um muro, e os rissóis foram literalmente atacados por formigas)!!

São relatos de uma miséria extrema … que me impressiona, mas depois, (e esta parte acredito que tenham dificuldade em perceber, pois por muito que vos possa tentar explicar, não conhecem a forma como pensa o meu filho), penso até que ponto é que as coisas não me são expostas desta forma, exactamente com o objectivo de impressionar.

É que embora seja meu filho, eu não me posso esquecer que estou a lidar com um filho manipulador e mentiroso compulsivo.

Levou-me até ao carro onde dorme. A mala do carro é um emaranhado de roupa suja, bolachas, sacos de plástico, etc, etc.

Independentemente do que que quer que seja, não há duvidas que por muita vontade que alguém tenha em mudar de vida, em se endireitar, é difícil fazê-lo sem ajuda, a dormir num carro e sem comer!!!

Mas por outro lado, essas são as consequências que advêm da vida que escolheu. Não me esqueci ainda, que esta, já deve ser a 6ª vez que estamos perante esta situação.
Nós o que temos feito, é dar-lhe um voto de confiança …. Compramos-lhe roupa (que nunca tem, ou está imprópria para ser usada), compramos-lhe o passe, faço-lhe o comer para levar para o trabalho, ou dou-lhe o dinheiro para ele comer … e o resultado é sempre o mesmo … quando chega ao fim do mês e recebe o ordenado, volta a fugir por mais alguns meses.

Nós ficamos com mais uma faca cravada nas costas, sentimo-nos enganados, usados e desrespeitados, e claro o dinheiro que nós “investimos” nunca mais o vemos. Tem sido sempre assim, já por diversas vezes.

O que se está a passar presentemente não é novidade …. É este o drama que nos acompanha há longos anos. Então o que fazer? Porque é que haveremos de ajudar, quando já temos quase a certeza do que irá a acontecer? (porque somos pais) Até quando deixamos que brinque connosco? E agora como vai ser?

Não me restava alternativa, senão trazê-lo para casa (embora já tenha ouvido o meu marido há uns meses a dizer que nunca mais iria permitir a entrada dele aqui). Viemos. Ele acabou por dormir no sofá (como se lembram já não tenho cama para o André, pois reformulamos a mobília, e anulamos uma cama). Quando o pai saiu foi tomar banho, e veio acabar de dormir na minha cama . Tomou o pequeno almoço, almoçou e já foi trabalhar (claro à conta do dinheiro que tive de lhe dar). Espero que á noite regresse (mas chegará, se chegar, pelas 23:00) e por isso, penso que a conversa que teremos de ter em família, será adiada para Sábado.

Estou muito ansiosa, tenho plena convicção que o meu marido não concorda que o protejamos. Ele entende que o filho está a colher o que semeou. Eu, por outro lado, embora percebendo as razões do meu marido, não consigo que a razão se sobreponha ao meu coração.

Por isso lá vou tentando dizer ao meu marido, que este filho, é nosso, é assim, faz-nos sofrer, mas é nosso. E se até agora nada não nos pesa na consciência, também gostaria que não fosse agora que começasse a pesar.

Hoje, posso dizer que nunca faltei ao meu filho, sempre o ajudei quando precisou, sempre lhe dei tudo o que me foi possível … e embora sofrendo muito por toda esta situação, o facto de saber que fiz o que na minha qualidade de mãe me era exigido … ajuda-me a superar a dor.

Quem tem falhado tem sido ele (ele próprio o reconhece), e por isso não concebo a possibilidade de não o ajudar. Eu não ficaria de bem com a minha consciência … ficaria toda a vida a pensar se não teria sido neste pedido de ajuda que eu recusara, que estava a luz para a mudança de vida dele.

Não, não posso ficar com esse peso comigo … mas não me posso esquecer que somos uma família, aqui em casa tomam-se decisões em conjunto …. e por isso preocupa-me alguma possível oposição por parte do pai (que é mais racional).

Sinto receio de enfrentar o meu marido, sinto-me insegura quando me questiona, pois creio que estou a tentar fazê-lo acreditar numa regeneração em que também eu, infelizmente, não acredito, mas que seria bem mais fácil se acreditasse.

Acho que não estamos psicologicamente preparados para o frenesim da sua presença, para as delirantes mentiras, para as desculpas esfarrapadas. Os pequeninos também estão confusos. O Di quando o André saiu para o trabalho foi-lhe levar um saco com roupa (que será a 3ª máquina de roupa) para levar … pois não percebe o que é que as coisas do irmão ali estão a fazer!!!

Não sei o que vai acontecer … sei que o André continua imaturo … disse-me que estaria em casa no Sábado à noite para falar com o pai (se a conversa não for feita hoje pelo adiantado da hora) se não fosse a Porto ver o Red Bull Air Force!! Isto faz sentido? Então ele está sem saber se pode ou não ficar em casa, e em vez de resolver a situação ainda põe a hipótese de ir para a festa?? O que me dizem disto???

Claro que ouvi muitas histórias, dos amigos que foram assaltar o Millennium no Olival Basto/Odivelas??!!! Dos amigos? Mas ele relata essas situações com orgulho … o que me deixa sempre perplexa, e convicta que não exagero, quando sinto o meu coração apertado, quando oiço as notícias, e em que a primeira informação que me interessa é saber a idade dos criminosos, por forma a descartar que o criminoso não será o meu filho!!. Isto é de facto muito complicado, quer de sentir, quer de vos explicar.

Hoje após mais um longo testamento, só sei dizer … que nada sei!!

Desejem-me sorte … pois acho que vou precisar!!

Assim que houver mais desenvolvimentos … aqui os “postarei”

Obrigado mais uma vez pelo Vosso apoio

Beijos

SMS

E eis que hoje às 00:31 recebo a seguinte sms:

Mãe estou a sentir a tua falta, fg sinto falta de te ouvir, dos teus conselhos, mãe preciso de tar contigo.

Fiquei sem saber o que fazer ... ou melhor, eu sabia o que tinha de ser feito ... senti um misto de sentimentos ... como uma batalha entre a emoção e a razão! Durante toda a noite e madrugada, muita coisa se passou (que eu depois conto) ... agora tenho-o aqui deitado ao meu lado, na minha cama ... a dormir talvez o sono mais tranquilo dos ultimos tempos!!! Realmente .... ser mãe é algo que nos transcende, é algo belo, algo inexplicável ... Hoje olho para ele com atenção, lamento o tempo passado, questiono o tempo futuro ... mas hoje ... ah!! hoje tenho-o aqui comigo!!!!!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

E agora Vou ver se Durmo

E agora, que já são 4:07, e que já organizei mais ou menos o Blog (lol), vou ver se durmo!!

Contudo deixem-me que vos diga que:

- o dedo do marido está a recuperar bem e não tem provocado grandes dores;
- A Rita não come há praticamente 2 dias, leva o dia a gemer com cólicas, porém já não está com diarreia. A barriga dela faz um barulho infernal e está fraquinha. Bebe imensa água, mas rejeita tudo o que seja comer. Nem iogurte, nem fruta, nem nada. Hoje ao final da tarde já a senti mais animadita, a ver vamos como estará amanhã.
- O Di está óptimo, mas não acha muita graça ao facto da irmã não querer brincar com ele.
- Tenho dormido pessimamente, pois a Rita adormece tarde e acorda muitas vezes a queixar-se da barriga. Para além disso, faz questão que eu durma com ela. Eu ando com uma insónias incriveis, motivo pelo qual passeio pelos Vossos Blogs de madrugada ... mas não há-de ser nada!!

PS - Soube hoje que o André continua a circular na zona de Loures, e que se faz acompanhar de um ilustre actor que actualmente participa numa telenovela da TVI, actor esse que nunca teve muito boa reputação!!! Nem sei que pense!!!

Estou com sono, motivo pelo qual não consegui visitar todos os Vossos cantinhos, mas amanhã sem falta fazer-vos-ei uma visita!!!

Beijocas a todos,

Recadinho para a S.A:

S.A., aqui as minhas Amiguinhas Blogueiras que tu já vais visitando e deixando mensagens, também gostavam muito de te deixar mensagens a ti, por isso, vê lá se te decides a criar um Blog, OK? ou precisas que eu organize um abaixo assinado para te convencermos?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Template? Mudanças? Indecisões? é temporário!!

Tenham calma .... eu não elouqueci de vez (ainda) ... só ando aqui a tentar mudar o template do Blog, e para encontrar um que realmente goste .... tenho de experimentar todos os milhentos que estão à nossa disposição na net ... como veêm trata-se de uma tarefa dificil, é que eu sou balança, estão a ver? para além de esquisita sou muito indecisa, e assim, a coisa complica-se!!!

Beijocas para todos

terça-feira, 2 de setembro de 2008

E eis que já com a Rita a dormir, o marido chega a casa ..... sempre com o seu ar cansado, de alguém que todos os dias trabalha dois dias num só. Mas hoje vinha diferente ... vinha mais leve, e com um dedo enrolado num emaranhado de gase, betadine e aquela substância tão vital para a nossa existência, com a cor do meu Glorioso!! Pois a leveza do meu querido marido ficou a dever-se ao facto de ter deixado parte da cabeça do dedo na prancha do seu local de trabalho!!!

Vi tudo vermelho, comecei a sentir o estômago às voltas ... pedi desculpa pela incapacidade, e fugi!! Há coisas com as quais tenho dificuldade em lidar, e esta é uma delas. Eu juro que não consigo ... felizmente ele consegue!!!

Pudor ... Sim ou Não?


Há muitas interrogações que me surgem e às quais não sei dar resposta, nesta ardua tarefa que é ser-se mãe e educadora. Penso e repenso, e muitas vezes, não consigo chegar a uma resposta concreta ... não consigo chegar áquela resposta que me permita afiançar que a opção que irei tomar é a mais correcta. As mais das vezes, tomo aquela, que em determinadas circunstâncias, me pareceu a mais ajustada, ou, em ultima instância a mais equilibrada, aquela que sei que não irá contar com uma forte "oposição".

Eu por exemplo, fui criada pela minha mãe, que sempre se revelou muito "open mind" para a sua idade. Sempre me relatou, que eu em pequena era púdica, que me recusava a despir à frente de quem quer que fosse, e quando andávamos às compras, recusava-me a trocar de roupa, sem estar devidamente protegida pelos Gabinetes de Prova.

Ao entrar na adolescência, a minha mãe, decidiu ser adepta do nudismo, e como tal, lá ia eu arrastada para o Meco (lol). A minha mãe sempre me incentivou a que me despisse, tentando sensibilizar-me para a liberdade que o nudismo proporcionava, mas se é verdade que nunca me convenceu, também é verdade que nunca me obrigou!!

Conforme fui crescendo, fui lidando com a exposição do corpo de uma outra forma ... com uma naturalidade q.b. Quando o André nasceu, achei que o deveria educar sem preconceitos, com total abertura, e por isso, em casa não existiam tabus. O meu filho foi educado a lidar com o seu corpo de uma forma natural. Sempre que se porporcionava ele tomava banho comigo, sem pudores ou preconceitos, apenas e só, com muito respeito. Foi assim durante anos, até que em determinada altura, o meu marido (que é mais conservador e sempre entendeu que não se deve "expor" em frente aos filhos) censurava o facto de eu tomar banho de porta aberta. Para ele, tinha chegado a altura de começar a existir algum pudor. Desvalorizei a sua opinião, e estou até hoje, sem saber se fiz bem ou mal!!

Nos dias que correm, cada vez mais temos conhecimento de história arrepiantes de crianças que são molestadas sexualmente, geralmente por familiares ou amigos chegados. Quantas vezes já não nos deparámos com uns olhares menos inocentes de pessoas estranhas para com crianças que alegremente brincam num Parque Infantil.

Por isso, penso que actualmente, tem de haver mais cautela, todos nós sabemos que as crianças estão cada vez mais expostas, e que cada vez mais, chegam ao nosso conhecimento histórias de abuso de menores. Sendo eu mãe de uma menina (embora não sejam só as meninas que correm riscos), dou comigo muitas vezes a vê-la brincar na inocência dos seus quase 5 anos, brinca com total liberdade de movimentos ... alheia a que poderá estar a ser observada por alguém menos bem intencionado. E é aqui que eu me pergunto ... deverei eu (e è isso que tenho vindo a fazer) alertar para que ela deverá ter algum cuidado com a forma que adopta, por exemplo para se sentar? No outro dia alguém me disse: "Ah coitadinha, deixe lá ainda é pequenina!!. será que é pequenina para perceber que há determinados comportamentos que não devem ser adoptados porque a expõem demasiado?

Será que devo incentivar a minha filha a ser púdica, para que dessa forma, a tente proteger?

Será que, não estou precocemente a chamá-la a atenção para a existência de alguma crueldade e psicopatia no mundo dos adultos? Será que ao fazê-lo, não estarei a beliscar a sua inocência? É que, se por um lado, acho que as crianças devem ter consciência do mundo real que as rodeia, como explicar-lhe os riscos que corre, sem que com isso, a confronte com o mundo cruel dos adultos?

Como explicar à minha filha, que não gosto que se sente ao colo de um senhor voluntarioso, que amavelmente se disponibilizou para a sentar ao colo, enquanto assistiamos a um teatro de rua? como lhe explico que não gosto ... se ela achou que o senhor tinha sido simpático, ao possibilitar-lhe não ver o teatro de pé?

Sinceramente, neste mundo tão preverso, já não sei como educar, cada vez mais me deparo com a inexistência de respostas absolutas, e com a existência de muitas interrogações!!

Virose

A virose não nos deixa ... depois de ter atacado o Di e depois o G., veio arrasar a minha Rita. Já há uns dias que a Rita se vai queixando de dores de barriga, de vez em quando tinha umas fezes mais liquidas ... mas esta noite, manifestou-se em força.

Andámos constantemente a caminhar para o WC, com a Rita aos gemidos devido às cólicas que tinha. Está abatida a minha menina ... tem muita sede (o que é importante para não desidratar), não tem apetite nenhum, não lhe apetece brincar (o que o Di acha muito estranho), só lhe apetecendo estar aconchegadinha a ver TV.

Ontem o meu marido dizia-me ... a próxima és tu!!! a Rita que estava a ouvir respondeu de imediato: Se ficares doente eu trato de ti, dou-te muito beijinhos, carinhos e abracinhos!!! lol!!! Claro que a enchi de beijinhos .... e nos poucos momentos que pudemos descansar ficámos abraçadinhas à espera de mais uma "descarga"!!!