Para Vos ser franca, eu sinto-me com a minha consciência tranquila, e tranquila porquê? Não, porque tenha tomado a decisão correcta, porque afinal de contas, nem eu sei se é correcta ou não, mas fi-lo pois a meu ver, tendo em conta os meus valores e os meus princípios não há outra forma de lidar com a situação.
Estou perfeitamente convicta que alguns dos que visitam este Blog, não conseguem perceber a minha actuação, afinal de contas, é-nos incutido desde sempre, que as mães, servem para proteger os filhos, mas a meu ver, eles devem ser protegidos ... até um determinado ponto!
Eu sempre fui muito consciente em relação aos meus filhos ... os meus filhos não são os mais bonitos do mundo, nem os mais inteligentes, nem serão as melhores pessoas ao cimo da terra. Gostaria que eles fossem, mas provavelmente não serão!! Mas, não sendo os melhores do mundo, serão educados para serem o melhor possível, pelo que gostaria que tivessem sempre a capacidade para se auto-avaliarem com vista a reforçarem as suas qualidades e modificarem os seus defeitos (pelo menos tentem, pois nem sempre é fácil).
O meu objectivo é ensinar os meus filhos a serem cidadãos íntegros, honestos, sérios, trabalhadores, solidários, sinceros, humildes, reinvidicativos sem que pensem que vale tudo ... temos de ter sempre presente que a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros, não estamos sozinhos no mundo, não podemos olhar só para o nosso umbigo, somos apenas elementos neste imenso mundo, e nele teremos que sobreviver, sermos felizes ... sem espezinhar ninguém. No fundo, eu quero que os meus filhos sejam pessoas de bem!!
Se é assim que os educo, é normal, que crie a expectativa, que eles, de uma forma geral, reflictam a educação que tiveram, que espelhem a educação que lhes foi transmitida. Bem sei, que todos nós sem excepção, passamos por fases na vida, em que fazemos tudo ao contrário daquilo que os pais querem ... estamos de uma certa forma a entrar em conflito com quem nos rodeia, pois dá-nos um certo gozo desafiar, pôr tudo em causa, provocar, somos de uma forma geral, instáveis. Mas são fases, que passam.
Com estes comportamentos, retiramos ensinamentos, e com eles, crescemos, amadurecemos, e começamos a ver a vida de outra forma, e não poucas vezes, chegando á conclusão que os nossos pais, por muito que nos custe admitir, tinham toda a razão!!
Assim, parece-me que, e reportando-me ao caso do André, não poderei dar-lhe protecção quando ele pretende levar um estilo de vida com o qual eu não tenho, nem quero ter, qualquer ligação.
A minha obrigação de mãe, esgotou-se nos inúmeros conselhos, advertências e ensinamentos que lhe dei, e no interesse que sempre demonstrei em ajudá-lo, quer encaminhando-o para que tivesse ajuda clínica, quer estando sempre ao seu lado para lhe dizer as verdades e mostrando-lhe o meu descontentamento. Paralelamente a isso, também o relembro constantemente que estarei sempre ao seu lado … para o acompanhar para o caminho da felicidade.
Estou perfeitamente convencida que ele quando assiste ao meu gritar de justiça … não conseguirá perceber os meus sentimentos, e as minhas atitudes. Nessa altura, ele querer-me-ia ao seu lado, para que juntos, afirmássemos a sua versão, mesmo sabendo que se trataria de uma mentira.
Aí, ele sentiria que eu cumpria, na íntegra, o meu papel de mãe!! E por isso, pergunto: será que compactuando com ele, eu estaria a ser melhor Mãe?, será que é isso, que se deve esperar de uma Mãe? Eu acredito que não!
Se nós pais, servimos de espelho para os nossos filhos, eu não podia compactuar com a sua actuação, com o seu desrespeito, e com a sua falta de valores.
Como é que eu afirmo que algo é verdade sabendo que é mentira?, como é que eu posso apadrinhar a permanência dele no mundo da delinquência? Expliquem-me como é que posso achar graça á senha do passe falsificado?, como é que não hei-de ficar incrédula perante uma forma de se viver tão estranha?
No fundo, para que eu agisse de forma diferente, deixaria de ser EU … e isso eu não consigo!!
Mas, interrogo-me muitas vezes se não tinha sido preferível eu adaptar-me, alterar a minha forma de ver as coisas, e começar a achar, que realmente, aquela vida (a dele) é que é a vida que todos deveríamos ter … que é assim é que somos felizes? Não seria bem mais fácil?
É que provavelmente, se eu achasse normal ser roubada dentro da minha casa, não haver regras para cumprir, não ser necessário tomar banho, nem mudar a roupa da cama, nem ir à escola ou trabalhar, estar todo o dia no café a beber e a fumar, roubar o que vier à mão para com isso fazer dinheiro, e muitas vezes roubar por roubar, termos sexo á força mesmo quando um dos parceiros não quer, ver as dezenas de preservativos usados e espalhados quer pelos bolsos das calças, atrás da cama ou dentro do armário da roupa, e achar normal, ter latas de leite condensado podre dentro do roupeiro onde se guarda a roupa lavada, dormir de dia e curtir de noite, ouvir mentiras em 99,9% dos diálogos … não seria bem mais feliz?
Estou certa, que se para mim, tudo isto fosse normal … eu ainda teria o meu filho em casa … eu, pertenceria hoje à classe daqueles que hoje julgo serem os “desestruturados, os inabilitados” aqueles que andam às cavalitas da sociedade … mas … teria todos os meus filhos debaixo da asa, e estaria ao lado do meu filho mais velho para o congratular e para festejar-mos juntos, mais um roubo que ele tivesse feito!!!
Felizmente, continuo a ser eu, e apesar das incompreensões (provavelmente dos que lêem e não comentam, ou … talvez não, (lol)) não prevejo que alguma vez … eu consiga ser diferente!!!
Em relação ao futuro próximo, escusado será dizer que o André não irá trabalhar coisa nenhuma … irá provavelmente, amaciar a avó com as promessas já usadas e gastas, e tentar mais uma vez impor as regras … na casa dela. Com mais ou menos oposição … ele tem conseguido sempre … mas para que dure mais um pouco … terá de se esforçar!!
Quanto ao futuro, a médio/longo prazo, não restarão grandes dúvidas … será passado algures por aí, num qualquer estabelecimento prisional!!!
PS - Mais um post longo (muito), desculpem ...
Beijos