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domingo, 11 de maio de 2008

Um Episódio de Vida ... com uma nota da comoda

Uma história de vida ... em que, qualquer semelhança com uma história de ficção ... é pura coincidência!!

Numa altura o meu filho arranjou trabalho como aprendiz de calceteiro. Como executava esses trabalhos, em locais distantes de restaurantes, tinha de levar o almoço numa marmita. Aqui a "je", como estava em casa por opção familiar, disponibilizei-me (não fiz mais que a minha obrigação), para lhe fazer o almoço, para ele levar. Mais, achei que era minha obrigação fazer o almoço de manhã, para que a comida ficasse mais fresquinha. E eis, que todos os dias, me levantava às 6:30 da manhã para cozinhar! Fazia-o com muito gosto, e orgulhosa por cumprir com tanto zelo o meu papel de mãe. O pior foi o resto! Num desses dias, pedi ao meu marido para me deixar dinheiro, para eu ir de manhã ao Quiosque da D. Tara comprar legumes para fazer uma sopinha para a Rita. Ele deixou-me 10,00€ em cima da cómoda. Preparo o comerzinho ao filho, despeço-me dele com um beijinho, desejando-lhe um bom dia de trabalho. Volto novamente para a cama para poder dormir mais um bocadinho. Mais tarde acordo, visto-me, acordo a minha filha, dou-lhe de comer, visto-a, e vou fazer a minha cama para me dirigir às compras. Tudo normal, até ter reparado que a nota de 10,00€ que o meu marido deixara desaparecera. Fiquei incrédula. Como é que era possível, que o meu próprio filho tivesse coragem de mais uma vez me roubar? .... e ainda por cima, enquanto eu na minha boa fé e ignorancia, cozinhava com tanto amor e carinho o seu almoço. Claro que peguei no telefone, berrei, insultei, esperneei, exigi (claro que em vão), que me aparecesse com o dinheiro. Negou sempre. Passados 10 minutos confessou aquilo que era obvio e não oferecia duvidas. Eu tinha sido roubada!!!

Agora, passado este tempo todo, sobre estes acontecimentos, quase que consigo sorrir lembrando-me das figuras ridiculas/estupidas que fiz. Não imaginam a quantidade de vezes que arredei a comoda, na estupida esperança de ver a nota lá caída. Eu acreditava que tudo era possível ... só não acreditava que a desconsideração pudesse chegar a este ponto. Não consigo transmitir a confusão de sentimentos que nos assolam nestes momentos, e a revolta que se sente quando um filho nos rouba vergonhosamente e ainda temos que lhe colocar um prato de comida à frente para que se alimente!!!! É um torbilhão de sentimentos contraditórios! Mãe sofre!!!

Um Beijinho

Filipa

sábado, 10 de maio de 2008

Um Episódio de Vida ... Exame do 6º ano

Todos os anos em Outubro o meu filho ficava retido por faltas, chegando ao final do ano lectivo reprovado. Eu passava horas, dias e semanas sentada em frente a uma mesa, inventando exercícios para ele fazer, explicava-lhe a matéria toda. Os colegas chegavam a ir para minha casa onde eu tentava ajuda-los. Os outros tinham sempre excelentes notas. Pelo contrário, o André, embora sabendo os livros quase de cor, não respondia a uma só pergunta, limitando-se a preencher com o seu nome a folha de teste, isto quando ia às aulas, pois geralmente, pese embora o meu esforço e empenho, faltava à aula do teste.

Eu sinceramente sentia-me gozada, ainda assim, nunca cruzei os braços, não conseguia mentalizar-me que iria ficar com um filho analfabeto, logo eu que tanto tinha lutado para poder ser uma pessoa minimamente instruída. Comecei a convencê-lo a ir propor-se a exame, ao que ele aceitou. Pensei que era uma missão impossível para ele, sem ajuda (convem lembrar que é hiperactivo), nunca iria conseguir!!! Acordei com ele que eu iria fazer o resumo de todas as disciplinas para que o nº de folhas que ele tivesse de ler fosse o mais reduzido possível.

Mais, prontifiquei-me a fazer cerca de 100 perguntas e respostas, para que fosse quase impossível os professores fazerem alguma pergunta que eu não tivesse equacionado (tecnica que aprendi na faculdade). Assim aumentávamos as probabilidades de sucesso. Insisti para que se deslocasse à escola afim de ver o calendário dos exames, e a resposta dele era sempre a mesma, “…ainda não saiu nada”. Estranhei! Dirigi-me à escola, e qual não é o meu espanto, quando vejo, que o primeiro exame era já, daqui a 3 dias.

Afinal a pauta dos exames estava exposta há mais de 1 mês e meio. Fiquei revoltada, mas não era tempo para discussões, tinha era de ter a matéria toda sintetizada, para que ele a estudasse. Passei um dia e uma noite sem ir à cama, para fazer os resumos do livro de História e as perguntas/respostas. Ele passava por mim, e dizia-me … “bem, granda maluca!!”.

O pai tentava chamar-me à razão, dizendo-me que eu estava a fazer papel de parva, que o André ainda gozava com a situação. Eu não ligava. O meu filho tinha que completar o ciclo preparatório!!
Pu-lo a estudar a matéria do primeiro teste (historia). Na pauta estava afixada a matéria sobre a qual ia incidir o exame, e estavam as perguntas quase que, desculpem a expressão, “escarrapachadas”. Transcrevi as perguntas e formulei as respostas. Ele estudou, tinha a matéria quase decorada. Eu fazia-lhe as perguntas, ele dava as respostas, eu completava, o que ele se esquecia.

Parti do princípio que mesmo correndo mal, ele nunca teria menos de 80% de pontuação. Chegou o dia do exame. Desejei-lhe boa sorte e ele lá foi. Eu, continuava em casa, embrenhada nos outros livros e no computador, a sintetizar a matéria. Ele chega a casa …. Perguntei-lhe entusiasmada, então como correu? …. Respondeu-me: “…. Bem, nem imaginas, as perguntas eram exactamente as que tu fizeste” … ao que eu pergunto … “então correu-te bem, quanto é que achas que vais ter?”, … e eis que escuto a resposta que jamais pensei ouvir “…. Não me correu bem, as perguntas eram iguais, mas a ordem com que foram colocadas era diferente, não consegui responder a nenhuma!!!!”

Eu não sabia se havia de me mandar para o chão, se deveria rir à gargalhada, se havia de o esbofetear, se haveria de gritar por socorro, ou se pedia para alguém me beliscar! A reacção que tive foi deixar escorrer duas lágrimas, mas mais uma vez, não havia tempo a perder …. Ele poderia passar com 1 negativa, e esta, já era uma certeza. Voltei ao computador, e consegui disponibilizar-lhe tudo o que necessitava. Ele fez os exames, uns, correram melhor que outros, houve professores que quase faziam os testes por ele, ainda assim, não conseguiu passar de ano, pois teimou que não queria fazer o exame de música, pelo que não foi possível! Quando alguém não quer ser ajudado, não quer ser ninguém, não vale a pena!!!!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Obrigado Amigas!!!

Muito Obrigado pelas vossas palavrinhas de apoio e carinho ... são tão importantes para mim!!! Muitos beijinhos para TODAS ... e em particular ... para a minha querida AMIGA "Anocas" que é mais do que uma amiga, é a irmã que eu gostaria de ter tido e não tive!! Não quero que fiquem preocupadas, eu estou bem. Estes são relatos de factos passados, que já foram devidamente digeridos e carpidos, permanendo agora no sotão das recordações!! É só isso. Diariamente vou colocando mais "ocorrências" aos quais chamarei "Um Episódio de Vida".
Desejo-vos a todas um Bom Fim de Semana!!!!

Beijos
Filipa

Um Episódio de vida ... no Quiosque das Frutas

Uma história de vida ..... em que, qualquer semelhança com uma história de ficção ..... é pura coincidência!!!

Na rua onde morávamos existia um quiosque de frutas e legumes, negócio pertencente a uma família de Indianos, muito simpáticos. Quando eu precisava de comprar alguma coisa, pedia ao meu filho o favor de lá ir. Eu dava-lhe o dinheiro e ele lá ia. Voltava com o que lhe pedia mais o troco. Num belo dia, decidi que iria eu às compras. Aviei-me e peço à D. Tara (proprietária do negócio e uma jóia de pessoa), o favor de pesar e fazer a conta, e eis que me diz o seguinte: "Oh Filipa quer que junte a outra conta?". E eu com cara de estupida: "Conta? qual conta?".

A D. Tara ficou encavacada e diz-me: "nada, esqueça, não é nada, deixe estar". Claro que se viu obrigada a contar-me que o meu filho, já há algumas semanas, aviava o que eu lhe pedia, e não pagava, ficando a acumular na "conta". Já devia 43,50€. Meu Deus, que vergonha!!! Fiquei azul de raiva e de indignação. Bem sei, que o fiado é recurso para muitos, mas para nós é impensável e impraticável. Mais uma vez, tive de concluir, que ele não mereceu a minha confiança, mais uma vez, eu sentia-me traída. Claro que a partir daí sim, e pela primeira vez, em toda a minha vida, aderi à "força" ao fiado. Comprávamos as coisas e eu pagava semanalmente. Triste não?!!!! E o pormenor dele aparecer em casa com as compras e o troco? Caramba, até se dava ao trabalho de destrocar o dinheiro, para me roubar! Está no sangue, não há hipotese!!!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Pormenores com a Maxima Importância V - Finalmente

(Continuação) .... Soube ontem que ele saiu de casa da minha mãe após mais um furto. A minha mãe quer agora aproximar-se novamente de mim. Já sei o que me diria. Dir-me-ia que eu tenho muita razão, que eu estivava certa, que esta foi a ultima oportunidade que lhe deu, que nunca mais o quer ver, etc. Na proxima semana já andarão de mão dada a passear num qualquer centro comercial para que ele escolha a nova coleçção primavera-verão. Não estou disponível. Não aceito mais pedidos de desculpa em vão. Não quero qualquer contacto.

O meio unico receio é que ela me venha bater á porta, e que eu, me veja assim obrigada a expor os meus filhos pequenos à deprimente cena, de me verem comunicar que para mim acabou. Sinto este afastamento como uma forma de sobreviver. Só conto com o meu marido para me ajudar a criar os meus filhos. Está-me vedada a possibilidade de cair a uma cama doente. O meu marido tem de trabalhar e eu não tenho mais niguém que cuide de mim ou dos meus filhos. Têm sido longos anos a puxar um pesado fardo. Embora nunca se desista de um filho, não consigo ter mais forças. Não depende de mim a mudança. Quando for para mudar, serei a primeira a dar-lhe um apertadinho abraço, e um doce beijo, e desejar-lhe as boas vindas ao caminho da felicidade!!!!

Entendam o tamanho destes posts como tendo a dimensão do meu desespero. Desculpem. Devo estar à beira da locura!!!

Um beijinho

Filipa

Pormenores com a Maxima Importância (IV)

(Continuação) .... o menino rebelde crescia, com tantos episódios (que eu de vez em quando, colocarei no blog). Entrou na adolescência, queria impor as suas próprias regras. Chegou a uma determinada altura que queria 25,00€/dia e a chave no bolso para entrar e sair à hora que queria. Não consentimos que isso acontecesse. Para nós, tem de haver liberdade com responsabilidade. Ele saía à rua, incendiava arbustos, partia o carro às professoras, andava nos beirais de torres de 15º andares, roubava, etc. A estratégia? .... os meus pais não deixam ...então vou combinar com a minha avó. A minha mãe ligava pra mim pedindo-me para deixar ir o André para casa dela, pois sentia-se sozinha, queria companhia. Eu lá deixava. O resultado era o telefone a tocar durante a noite com uma chamada da Policia, acusando o facto dele se ter envolvido em cenas de pancadaria às portas de uma discoteca em Lisboa. What? é o resultado entre muitos, do excesso de liberdade, patrocinado pela avó. Fugas de casa foram muitas, primeiro dormia em casa de amigos, em carros abandonados, e por fim batia à porta de casa da avó. Ela resistia na primeira noite, mas nas restantes, dera-lhe sempre guarida, até que ele a roubasse ou agredisse. Acabava sempre a dormir nos bancos ou relva do jardim. Lá ia eu às 3 e 4 da manhã convencê-lo a voltar a casa. Ele acedia. Assim que algum desejo fosse contrariado voltava tudo ao inicio. Nunca quis apoio médico, embora precise, pois é hiperactivo, e necessita de medicação. Medicação essa, que sempre recusou. Abandono escolar+roubos+ fuga+ violência =pedido de ajuda à comissão de protecção de menores. Após 2 anos, remeteram processo para o tribunal. Institucionalizam-no. Daí até andar a roubar carros e vender armas foi um instante. Fugiu da instituição. Foi viver com 3 amigos. Nenhum deles trabalhava. Como viviam? vendendo droga e ... advinhem? ... com os bens alimentares que a minha mãe lhes comprava! Oh Meu Deus isto será normal? Decidi vender a minha casa e fugir daquelas influências. Convidei o meu filho a acompanhar-nos para que se fizesse um homem. Ele aceitou. Pedi autorização ao tribunal para que ele voltasse ao lar. Foi aceite. Ele veio. Trabalhava 2 ou 3 semanas era despedido. Passava o tempo no café a fumar e a beber. Não queria cumprir horário de entrada em casa, não queria tomar banho, falava obscenamente em frente dos irmãos. As discussões são mais que muitas. Decidiu ir morar sozinho mesmo sem trabalho. Tendo renda para pagar, continuava sem trabalho. Estava sempre sorridente e na maior. Descobri mais tarde que quem estava a dar-lhe dinheiro para renda e alimentação era a minha mãe. Desde 23 de Dezembro a 11 de Janeiro que lhe passou 500,00 euros para a mão. Curiosamente, ela pensou que ele tinha pago a rendas ... mas enganou-se .... ele foi a uma festa e gastou o dinheiro. Isto fará algum sentido? Grande responsabilidade, sim senhor!!!! Se ele fosse trabalhar, a dia 4 ou 5 já não tinha dinheiro. Pedia emprestado à minha mãe. Se ele trabalhasse, ela respondia-lhe: não empresto porque trabalhas. Se ele não trabalhasse ela pagava todas as despesas. Conclusão: Então por que havia ele de trabalhar? Viva à inercia!! Ficou aqui a dever dinheiro em tudo quanto é cafés, mais, pediu dinheiro emprestado para pagar a renda, renda essa que estava a ser assegurada pela avó, ... mas que ele gastou. Agora, tenho as pessoas à porta ,a quererem falar com ele para cobrarem as dividas. Para além da vergonha, o pior mesmo, é que a nossa vida não permite que estejamos a pagar as dividas dele. Somos pessoas muito honestas e vivemos unica e exclusivamente do trabalho. Vivemos com o essencial. Quando não temos dinheiro, não compramos, mas dividas é que jamais. Muitas vezes, tenho vergonha de sair à rua, pois, quando olho para alguém coloco sempre a hipotese de se tratar de alguém a quem ele também deva. Acho, que também já não estou bem da cabeça!!!. Mais uma vez, a avó em furia pela traição do neto (por gastar o dinheiro da renda) aceitou-o na casa dela. Ele não trabalha, não estuda, mas continua a ter dinheiro para ir a acampamentos, praia, vestir-se, calcar-se, carta de condução, etc. Eu só pergunto que futuro é este que a minha mãe teima em patrocinar? mas que facilitismo? isto será normal? mas será que tudo cai do ceu e só eu é que não vejo isso? Já não sei. (continua)

Pormenores com a Maxima Importância (III)

(continuação).... incentivou-o ao desrespeito especialmente pelo pai. Quando o meu marido se impunha, ditando regras ... o meu filho respondia "tu nunca foste meu pai, não tens autoridade para me mandares fazer nada". Ele sempre soube que tinha por trás a força da avó, pois a minha mãe fazia questão de lhe dar a força que todas as crianças gostariam de poder ter .... mas que nunca devem estar presentes. Somos responsáveis pela educação que damos aos filhos, por vezes até podemos ter atitudes menos correctas, mas não podemos ter alguém por perto alguém que dê força a uma criança, para que se revolte. Quando cresceu ... e era castigado (até mesmo por roubar a avó) dizia que então, ... ia morar para casa da avó .... a avó aplaudia tamanha falta de respeito. Quando roubada a avó, esta ficava doida (e com razão) "sentia-se" muito com tão monstruoso acto. Passados 2 dias convidava-o para ir passear com ela para uma superfie comercial e enchia-o de roupa. Algumas vezes ele aproveitava esses mesmos passeios e compras para lhe roubar os cartões multibanco e levantar elevadas quantias em dinheiro. Ficavam chateados num dia, no outro, já estava tudo bem, como se nada tivesse acontecido, e ainda hoje é assim. As guerras foram muitas. Ele nunca emendou o seu comportamento. Também não era preciso. Tinha sempre as costas quentes. Nunca lhe foi dada a oportunidade de perceber que quando praticamos o mal, isso tem sempre uma consequencia negativa para nós próprios. Eu pedi e implorei á minha mãe que jamais consentisse que ele pensasse assim, pois as consequencias seriam medonhas. Nunca alterou o seu comportamento. Quer redimir-se dos pecados praticados, jamais esquece o facto da minha irmã ter fugido de casa enumeras vezes, de se recusar a viver com ela, e de por fim, se ter suicidado, deixando uma mensagem informando que não tinha familia a quem comunicar o obito. Como eu ..., cada vez mais ...., consigo compreender a minha irmã, com a qual, lamentavelmente nunca tive contacto, pois ela, fugiu, quando eu tinha 4 anos, e nunca mais a vi, a não ser no dia da cremação do seu corpo. Corpo esse, que, por ironia do destino (e por vontade da minha mãe) se encontra, agora sim, depositada na sua casa. Viver com a minha mãe tem sido sempre um carma, é uma pessoa que vive em permanente estado de depressão, com uma enorme instabilidade e que tem visto em mim e no neto os seus unicos alvos.Tem tentado dar ao meu filho aquilo que faltou á filha mais velha ... e isso tem sido um dos grandes erros. Para ela tudo se desculpa, mas eu não concordo .... lá diz o ditado ...quem não se sente não é filho de boa gente!!! para mim perdoa-se uma vez, duas, mas à terceira já é demais, entra-se num ciclo vicioso, e a falta de respeito instala-se. Continua